A pílula do dia seguinte não é tão eficaz como a pílula contracetiva habitual: serve para reduzir o risco de gravidez depois de uma relação sexual desprotegida.

O ideal é tomá-la nas primeiras 24 horas após a relação, para que a eficácia seja máxima. Existem duas opções hormonais de contraceção de emergência: uma à base de levonorgestrel, que pode ser tomada até 72 horas depois, e outra à base de acetato de ulipristal, que mantém eficácia até 120 horas — cinco dias. A eficácia é tanto maior quanto mais cedo for a toma: a do levonorgestrel diminui à medida que o tempo passa, enquanto o acetato de ulipristal continua eficaz até cinco dias. Ou seja, não vale a pena adiar.

Em Portugal, a pílula do dia seguinte está disponível em farmácias comunitárias. A dispensa sem receita e o custo variam consoante a formulação e a farmácia; confirma com o farmacêutico. Também podes pedir orientação numa consulta de planeamento familiar, no centro de saúde ou junto do serviço de saúde escolar.

Pode provocar efeitos secundários desagradáveis, como náuseas, dores de cabeça, dores de barriga ou pequenos sangramentos que desaparecem rapidamente. Se vomitares nas 3 horas seguintes à toma, pode ser necessária uma nova toma; em caso de diarreia, pede conselho ao farmacêutico.

Atenção: a pílula do dia seguinte é um contracetivo de emergência e não deve tornar-se um hábito. Tem uma concentração hormonal elevada e não foi pensada para uso repetido. Não substitui um método contracetivo regular; se houver outra relação desprotegida no mesmo ciclo, é possível repetir a toma, mas fala primeiro com um farmacêutico ou médico.

Recorda também que a pílula do dia seguinte não interrompe uma gravidez já implantada e não protege de infeções sexualmente transmissíveis (IST).

Um incidente acontece facilmente — esquecimento da pílula, preservativo que falha, se rompe ou fica danificado — e é para estas situações que existe a contraceção de emergência, para evitar o recurso à interrupção voluntária da gravidez sempre que possível. Aqui fica o essencial sobre a utilização e os cuidados a ter.

Na prática, retém isto: cada hora conta depois de uma relação desprotegida e a pílula do dia seguinte nunca substitui um método contracetivo regular. Em caso de dúvida sobre o que fazer, um farmacêutico ou uma consulta de planeamento familiar podem acompanhar-te sem julgamento.

Custo e acesso

Em França, a contraceção de emergência é gratuita, dispensada sem receita e sem custos iniciais a todas as mulheres, maiores e menores de idade, em farmácias, centros de planeamento familiar e enfermarias escolares. Em Portugal, o acesso faz-se sobretudo em farmácias comunitárias; o custo varia consoante a marca e a farmácia e não partas do princípio de que é gratuita. Confirma com o farmacêutico a dispensa sem receita, o preço e a opção mais adequada. Se preferires falar primeiro com um profissional, podes recorrer a uma consulta de planeamento familiar, ao centro de saúde ou ao serviço de saúde escolar; esclarece aí as condições de acesso e eventuais comparticipações.

Fontes

  • INFARMED — informação sobre medicamentos e produtos de saúde.
  • Direção-Geral da Saúde (DGS) — orientações sobre saúde sexual e reprodutiva.
  • Serviço Nacional de Saúde (SNS) — planeamento familiar e acesso à contraceção.
  • Ministère de la Santé et de la Prévention (França) — «Contraception d'urgence»; Haute Autorité de Santé (HAS) — recomendações sobre contraceção de emergência; Santé publique France — dados sobre contraceção e acesso aos cuidados.