A sauna
Calor, descanso, limpeza profunda: a sauna tem muitos benefícios e serve antes de mais para te fazeres bem; é tanto um ritual de beleza como de bem-estar e, idealmente, segue-se algumas regras para tirar o máximo partido dos seus efeitos.
A sauna oferece calor seco, denso e crescente; o hammam, por sua vez, envolve-nos num vapor suave e tépido. Consoante aquilo que procuras — músculos que se descontraem, uma pausa de calma, uma pele livre de células mortas — um será mais adequado do que o outro. Falta saber como fazer e em que condições.

Para começar, há contraindicações a ter em conta. Como a sauna é uma fonte de calor, está desaconselhada a quem tem problemas de circulação, rosácea ou doenças de pele que possam agravar-se com o calor. Em caso de dúvida, pede conselho ao teu médico ou dermatologista.
Da mesma forma, se sentires que está a começar uma constipação, uma amigdalite ou uma gripe, evita: não vais ganhar nada com isso! A sauna também deve ser evitada por quem tem hipertensão ou, pelo contrário, tensão baixa, problemas cardíacos ou epilepsia; durante a gravidez, é necessário pedir opinião médica. Por fim, por razões óbvias de higiene, abstém-te se tiveres doenças infecciosas: a sauna é um espaço de convivência próxima e as regras de higiene devem ser cumpridas à risca.
Vinda dos países nórdicos, a sauna consiste numa cabine de madeira de tamanho variável cujo calor seco deve, em princípio, atingir os 80 °C, nada mais nada menos! A humidade mantém-se baixa. Por vezes, deita-se uma concha de água sobre as pedras quentes para criar uma nuvem de vapor, mas a atmosfera continua seca. Resultado: transpiras muito e, nos primeiros minutos, podes sentir que te falta o ar.

Não precisas de ter horas livres para te ofereceres uma sessão bem quentinha: o importante é escolher um momento propício ao relaxamento, um momento só teu. Evita a sauna logo depois de comer — o ideal é ainda teres o estômago leve — e adia-a se bebeste demais na véspera.
Convém saber que as saunas podem ser mistas ou não, consoante o estabelecimento: piscinas municipais, ginásios, centros de talassoterapia, spas urbanos. Basta um telefonema ou perguntar na receção. Na mala, leva duas toalhas: uma para te sentares, outra para te secares. E uma garrafa de água.

Antes de entrares na cabine, é aconselhável tomar um duche quente: por um lado, por razões de higiene; por outro, para aumentar ligeiramente a temperatura do corpo e prepará-lo para as condições que o esperam. Leva uma toalha pequena para te sentares, porque a madeira quente pode ser desconfortável — e, mais uma vez, por razões de higiene. Em princípio, a sauna deve ter duas ou três filas de bancos com alturas diferentes e, com elas, temperaturas diferentes: os bancos mais baixos estão numa atmosfera menos quente do que os que ficam por cima. Bom saber para a primeira experiência!
Senta-te ou deita-te, como preferires, mas o ideal é ter os pés ao nível do corpo: sobe as pernas para o banco e respira devagar. A sauna deve ser calma e convidar ao relaxamento; por isso, se estiveres acompanhada, fala baixinho — ou, melhor ainda, evita falar, para estares inteira nesse momento tão especial. Ao fim de alguns minutos, o calor faz o seu trabalho, o corpo descontrai-se e começa a transpirar: sentes-te noutro lugar, como se estivesses suspensa.
Numa primeira sessão, é melhor ires devagar e, acima de tudo, não te forçares. Se o calor se tornar desconfortável, sai. Em geral, se for a tua primeira vez, não fiques mais de um quarto de hora na primeira entrada.
Ao sair, toma um duche fresco, mas não frio, para arrefecer o corpo e limpar a pele. Depois descansa: normalmente há bancos ou espreguiçadeiras para te instalares entre entradas. Quando recuperares e se te sentires com energia, volta à sauna por mais uns quinze minutos.
Depois, decide tu: duas, três entradas ou mais, depende. Nem todas temos a mesma tolerância ao calor, e não vale a pena forçar se já não te apetecer!
Só há uma regra a cumprir depois da última entrada na sauna: um duche frio, não morno nem fresco, frio! Ajuda o corpo a voltar à temperatura inicial e os vasos sanguíneos dilatados pelo calor a contraírem-se; em suma, o corpo recupera o tónus enquanto se limpa.
Se a água fria te deixa de pé atrás, um duche fresco resolve bem a situação. O essencial é não saíres a transpirar para uma corrente de ar, sobretudo no inverno. Seca-te bem, agasalha-te e deixa o corpo arrefecer com calma.

Quando saíres de lá, sentes-te leve e relaxada, limpa por dentro e cheia de energia: uma verdadeira felicidade!
Sabias que...? Além do relaxamento, a sauna tem muitos benefícios para o corpo. Para começar, a transpiração elimina água e parte dos sais minerais: podes transpirar abundantemente e perder uma quantidade variável de água; não te esqueças de te reidratares.
Algumas pessoas referem alívio de tensões ou dores musculares depois de uma sessão; para dores de artrose, os dados são limitados e a opinião de um profissional de saúde continua a ser necessária. Por fim, há quem encontre ali um momento de relaxamento no inverno; isso não substitui as medidas de prevenção de infeções.
Qual é o ritmo ideal? Uma vez por semana, de preferência ao fim do dia.
E quanto ao sono? Muitas pessoas dizem dormir melhor depois de uma sessão. Os dados continuam limitados, mas o relaxamento que se sente é bem real.


O hammam
Ao contrário da sauna, no hammam impera um calor húmido. O vapor, a luz suave e os mosaicos orientais fazem-nos viajar, enquanto o calor húmido, quase palpável, se encarrega de acalmar corpo e mente.
Em princípio, um hammam tem três salas: a mais fresca serve para relaxar e descansar; a segunda, mais tépida do que quente, varia entre 30 e 38 °C; e a terceira, inundada de vapor, é a mais quente e pode chegar aos 45 °C, com humidade saturada.
Percorre-se as três salas pela ordem indicada, ao teu ritmo, para entrares no calor de forma progressiva e deixares o corpo habituar-se e relaxar. Depois, vai e vem entre a sala mais quente e a sala tépida, conforme te apetecer.
Para aproveitares bem uma sessão de hammam, conta com três horas bem passadas: seria uma pena andares pressionada pelo relógio e tensa, quando ali tudo convida a abrandar. Além disso, o hammam é especialmente indicado para o ritual de beleza oriental, quer seja feito pelo pessoal do espaço ou por ti. Reserva tempo para uma esfoliação, um cuidado essencial e complementar ao hammam: o vapor quente ajuda a soltar as células mortas, e é importante completar esse processo eliminando-as.
Sabão negro para limpar e desengordurar a pele e, depois, luva de esfoliação, quando tiveres aproveitado bem a sala mais quente. Ao esfregares suavemente, vês a pele morta a sair e o teu corpo parece mais macio do que nunca.
Outro prazer é a massagem: feita por mãos experientes, é o toque final destes momentos de relaxamento. As preocupações apagam-se, as tensões esvanecem-se, a pele fica lisa e mais preenchida.
Convém saber que o hammam é muitas vezes não misto, com horários ou espaços reservados, mas alguns espaços têm sessões mistas; informa-te antes. As toalhas e, por vezes, as sandálias podem ser fornecidas pelo estabelecimento, mas nem sempre; por isso, pergunta antes. Da mesma forma, escolhe bem as horas: se é inevitável estar rodeada de outras mulheres que também ali vão pelos benefícios, é bem menos agradável estar em salas cheias. Opta pelas horas de menor movimento, sobretudo na primeira vez.
Por fim, tal como a sauna, o hammam está contraindicado em casos mais ou menos semelhantes: problemas de circulação, doenças infecciosas, problemas cardíacos e alterações da tensão arterial. Em caso de dúvida, não hesites em pedir opinião ao teu médico.
Estes dois rituais milenares são muitas vezes confundidos. A sauna e o hammam têm em comum o calor e os benefícios para o corpo e a mente, mas são bastante diferentes e cada um tem o seu próprio ritual. Vapor quente e salas grandes ladrilhadas num; calor seco e a suavidade da madeira no outro. O hammam teria origem greco-romana, enquanto a sauna vem da Finlândia, onde é uma verdadeira instituição. Gostar de um não significa necessariamente gostar do outro, mas há uma coisa certa: saímos de lá mais calmas, leves, sem tensões, simplesmente bem! Então, se andas tensa, cansada, sem energia e precisas de um momento só teu, para esquecer o dia a dia enquanto te fazes bem, há duas soluções: hammam ou sauna. A escolha é tua!
Na prática, guarda isto: tem uma garrafa de água à mão e bebe aos pequenos golos antes, durante e depois da sessão. A transpiração faz perder água e sais minerais; é uma das causas frequentes de mal-estar na cabine ou na sala quente, daí a importância de te hidratares. Nunca fiques sozinha se sentires que estás a perder os sentidos: sai e senta-te.
Orçamento
Em Portugal, um acesso simples a uma sauna ou hammam em spa urbano costuma situar-se entre 15 e 30 €; um ritual completo com esfoliação e massagem pode situar-se entre os 45 e os 80 €. Em piscinas municipais ou ginásios, o acesso está muitas vezes incluído na mensalidade ou custa apenas alguns euros. Os valores variam consoante a cidade, o horário (horas de menor ou maior movimento) e o serviço escolhido.
Fontes
- Laukkanen T., Khan H., Zaccardi F., Laukkanen J. A., « Association between sauna bathing and fatal cardiovascular and all-cause mortality events », JAMA Internal Medicine, 2015.
- Zaccardi F., Laukkanen T., Willeit P., Kunutsor S., Kauhanen J., Laukkanen J. A., « Sauna bathing and incident hypertension: a prospective cohort study », American Journal of Hypertension, 2017.
- Organização Mundial da Saúde, orientações sobre a gestão da exposição a calor intenso e hidratação.
Os suplementos alimentares não substituem uma alimentação variada e equilibrada nem um estilo de vida saudável.





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