Há mulheres que pensam nisto durante anos antes de se atreverem a falar do assunto. Mamas demasiado pesadas, ombros marcados pelas alças do sutiã, costas a puxar mal acordas, exercício que se tornou complicado… e a vontade, cada vez mais forte, de te sentires finalmente melhor no teu corpo. Só que, entre o medo das cicatrizes, o medo da dor e a conhecida questão do custo, hesita-se. Então, como funciona realmente a redução mamária? Que cicatrizes deixa? Tem cobertura? Esclarecemos as dúvidas, uma a uma.

Porque é que se pondera a cirurgia?

Não é apenas uma questão de espelho. Para muitas mulheres, o incómodo é sobretudo físico: o peso das mamas cansa a nuca e a parte superior das costas, complica o dia a dia e o exercício, e acaba por afetar o estado de espírito. É frequentemente essa fadiga, mais do que a estética, que leva a procurar ajuda.

Há também tudo aquilo que não se vê. Mamas muito volumosas podem dificultar a escolha e a compra de roupa, atrapalhar em certas atividades e acabar por minar a autoconfiança. Em algumas mulheres, a ideia de uma redução desperta ao mesmo tempo uma inquietação mais íntima: a de não se reconhecerem ao espelho, de perderem uma parte da sua feminilidade ou de se sentirem menos desejáveis. Estas questões não são fúteis nem motivo de vergonha e são muito legítimas antes de se avançar. Falar com um cirurgião plástico e, se for preciso, com um psicólogo ou com o médico de família, ajuda muitas vezes a ver as coisas com mais clareza.

Como se processa, na prática?

A redução mamária é uma cirurgia a sério, não um gesto ligeiro para te sentires mais confortável. Prepara-se com antecedência: uma primeira consulta com um cirurgião plástico, um exame, conversas sobre as tuas expectativas e sobre o que é realista e, na maioria dos casos, uma consulta de anestesia. O cirurgião explica-te a técnica que tem em mente, onde ficarão as cicatrizes e o que é razoável esperar. É o momento de fazer todas as perguntas, mesmo as que te parecem ingénuas.

A operação realiza-se num hospital ou numa clínica, na maioria das vezes com anestesia geral e internamento de curta duração. O cirurgião remove gordura, glândula e pele e, depois, eleva e remodela a mama. O desenrolar exato e a recuperação variam de mulher para mulher: é o teu cirurgião quem melhor pode descrever o teu caso, mais do que uma resposta genérica encontrada online.

E as cicatrizes?

O certo é que a redução deixa na mama cicatrizes permanentes, mais marcadas, e cujo aspeto varia consoante o caso. É muitas vezes um dos principais entraves apontados por quem pondera a redução mamária, a par do medo da dor, da perda de sensibilidade ou de perder um pouco da sua feminilidade. São pontos a abordar com um cirurgião plástico, que te poderá dizer o que esperar no teu caso.

E depois? A recuperação

Nos primeiros dias, as mamas ficam inchadas e sensíveis, por vezes com pensos ou um sutiã de suporte adequado. A fadiga faz-se sentir, por isso convém teres ajuda em casa nos primeiros tempos. A convalescença exige geralmente várias semanas e, muitas vezes, é preciso esperar mais um pouco antes de retomar o exercício e os esforços intensos. Este calendário depende da cirurgia e de cada pessoa: mais vale seguires as indicações do teu cirurgião do que um prazo encontrado noutro sítio.

Que riscos deves conhecer?

Como qualquer operação, a redução mamária não é isenta de riscos. A anestesia geral tem riscos próprios, avaliados na consulta de anestesia. Pode surgir uma infeção, um problema de cicatrização, um hematoma ou uma ligeira assimetria. A cirurgia pode também alterar a sensibilidade da mama e dos mamilos, às vezes de forma duradoura. Outro ponto a pesar: a amamentação pode tornar-se difícil ou impossível depois da operação — um critério importante se pensas engravidar no futuro. Nada disto é inevitável, mas são aspetos a abordar com toda a transparência com o teu cirurgião.

Há alternativas?

Antes de considerares a cirurgia, há caminhos que vale a pena explorar. Um sutiã realmente adequado à tua morfologia às vezes alivia bastante os ombros e as costas. Trabalhar a postura e reforçar as costas, com a ajuda de um fisioterapeuta ou de um profissional de exercício físico adaptado, também pode ajudar a suportar melhor o peso. E quando o peso tem um papel, o acompanhamento nutricional ou uma perda de peso estável — quando é possível e duradoura — muda a situação. Isto não substitui a cirurgia se o incómodo continuar a ser importante, mas pode aliviar algumas situações ou, pelo menos, permitir-te chegar à consulta com toda a informação reunida.

O SNS cobre?

Em alguns casos, a redução mamária pode ser realizada pelo SNS; os critérios e a cobertura devem ser confirmados junto do SNS e do cirurgião. O valor que fica a teu cargo depende da tua situação e do seguro ou subsistema de saúde.

Quanto custa?

A questão do custo surge depressa e merece uma resposta clara. Quando a motivação é puramente estética, a cirurgia fica fora do SNS e custa vários milhares de euros, um valor que varia consoante a cidade, a clínica e o cirurgião. Em qualquer caso, pede um orçamento escrito e detalhado antes de avançares e fala sobre isso com o teu médico de família e com o cirurgião plástico que te vai acompanhar.