Uma amiga ligou-me outro dia, meio desanimada: «o meu sérum já não faz nada». Fomos rever a rotina dela juntas. Três produtos, dois ativos e nem sinal de esfoliação há meses. A pele estava coberta de células mortas que não deixavam passar nada do resto. Na prática, o passo que faltava resumia-se a dois minutos por semana. Só que tem de ser feito pela ordem certa e com a fórmula adequada.
Para que serve, afinal
A pele renova-se continuamente. Quando esse ciclo abranda, as células mortas acumulam-se à superfície: tom baço, textura áspera, produtos que ficam à superfície e já não penetram. Esfoliar não força nada, apenas acompanha o processo.
Há um segundo benefício, mais concreto: os pelos encravados depois do barbear ou da depilação. Uma esfoliação regular pode ajudar a libertar o folículo e a reduzir os pequenos borbulhões. É muitas vezes isto que convence, na verdade.
O reverso também existe. Esfoliar demasiado pode danificar a barreira cutânea — vermelhidão, pele repuxada, picadas. Em geral, uma a duas vezes por semana chega, tanto no corpo como no rosto.

O gesto, pela ordem certa
Começa no duche, com a pele molhada. Com a pele seca, os grãos agarram e irritam. Depois do gel de banho, tira uma porção do tamanho de uma avelã e massaja em movimentos circulares, sem pressão: são as partículas que trabalham, não a tua força. Insiste nas zonas mais espessas — cotovelos, joelhos, calcanhares.
Passa por água morna, nunca quente. E hidrata logo a seguir: uma pele esfoliada absorve melhor. É o momento ideal para o óleo vegetal ou para um creme mais rico.

Corpo e rosto pedem fórmulas diferentes
Uma esfoliação corporal com grãos de açúcar ou de sal é tonificante. Se tens a pele seca ou sensível, prefere uma base oleosa ou grãos finos, do tipo pó de amêndoa. Os caroços esmagados são para o corpo — evita-os no rosto.
No rosto, há duas famílias a dividir o terreno. A esfoliação mecânica — grãos finos, pó para reidratar — usa-se geralmente uma vez por semana. A esfoliação química (AHA, BHA, ácidos de fruta) trabalha sem esfregar: aqui, o que manda é a formulação. Um gel de limpeza com ácido salicílico pode usar-se diariamente, se a tua pele o tolerar; um peeling concentrado, não.
Detalhe útil: em França, a lei da biodiversidade de 2016 proibiu as microesferas de plástico nos produtos com enxaguamento, em vigor desde 2018. A nível europeu, o regulamento (UE) 2023/2055 veio restringir de forma progressiva as microesferas de plástico adicionadas intencionalmente aos cosméticos.
Esfoliação caseira, versão sensata. Duas colheres de sopa de açúcar mascavado ou de pó de amêndoa, duas de óleo vegetal, uma de mel. Massajas, passas por água. Nada de limão: é demasiado ácido e fotossensibilizante. Prepara e usa logo a seguir, sem conservantes.
Escolher e olhar para a embalagem
Numa esfoliação corporal, olha para a base antes do perfume. Um rótulo COSMOS Organic ou Cosmébio enquadra a percentagem de ingredientes naturais e biológicos; a palavra «natural», sozinha, não garante nada. Quanto ao fim de vida, dá preferência ao frasco de vidro ou ao tubo de cartão, recarregável se possível. Em França, desde 2023, todas as embalagens de plástico vão para o contentor de reciclagem; em Portugal, o plástico e o metal vão para o ecoponto amarelo.
No rosto, o gesto conta mais do que o preço do frasco: uma loção esfoliante bem doseada vale mais do que uma esfoliação de grãos demasiado agressivos.

Quanto custa
- Esfoliação corporal: conta com 5 a 12 € em supermercado ou parafarmácia; 12 a 25 € por uma fórmula biológica certificada.
- Esfoliação facial ou loção esfoliante: 8 a 20 € em farmácia, parafarmácia ou lojas online como a Wells, a Notino ou a Amazon.es; 25 a 45 € em perfumaria (Sephora, Perfumes & Companhias, El Corte Inglés) por um peeling de marca.
- Instituto: 40 a 80 € por uma esfoliação corporal em cabine, conforme a cidade e a duração do serviço.
- Em casa: 3 a 6 € pelo óleo vegetal e o açúcar, para vários meses de ritual.
O preço varia consoante o certificado, a quantidade, o canal de venda e a frequência com que as marcas reformulam as gamas. Não vale a pena gastar 40 € num frasco se só esfolias uma vez por mês.
Um último conselho bem concreto: guarda a esfoliação no duche e hidrata nos três minutos seguintes. Esse gesto vale mais do que a marca impressa na tampa.





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