Os poluentes gasosos — os compostos orgânicos voláteis (COV) libertados por alguns móveis, tintas ou produtos de limpeza, a humidade, o dióxido de carbono — dissipam-se sobretudo com renovação de ar; alguns filtros de carvão ativado conseguem adsorver parte dos COV e dos odores, com uma eficácia variável. Já o CO2 e a humidade exigem ventilação.

Comece por arejar bem, e várias vezes ao dia se puder — muitos aconselham renovar o ar regularmente, um gesto que nenhum filtro faz por si. O purificador surge como complemento, para os dias em que prefere manter as janelas fechadas — picos de pólen, poluição de fundo, rua com muito trânsito. E se surgir algum incómodo respiratório (tosse que não passa, despertares durante a noite, pieira), é com um profissional de saúde que resolve a questão, não numa loja.

A divisão primeiro, o aparelho depois

Tudo parte da dimensão da divisão — quantos metros quadrados tem a sua sala? Os aparelhos compactos, pousados numa cómoda, destinam-se a um quarto ou escritório; as colunas, mais altas e potentes, foram pensadas para uma sala. Demasiado grande, o aparelho trabalha sem necessidade; demasiado pequeno, não renova ar suficiente para a divisão que lhe confia.

Um purificador em modo noturno discreto num quarto, luz de presença acesa
Um formato compacto chega para um quarto ou escritório

Duas características a ler antes de olhar para a cor da carcaça. O caudal, normalmente anunciado em metros cúbicos por hora: na prática, vale a pena procurar um aparelho capaz de tratar várias vezes o volume da divisão por hora — uma referência de bom senso, não uma norma oficial. Depois o ruído, que decide mesmo o destino do aparelho: um modelo demasiado sonoro acaba desligado num canto, e é dinheiro a dormir. Para um quarto, veja o valor anunciado na velocidade mínima — quanto mais baixo, melhor, para conseguir dormir ao lado — e confirme que existe um modo noturno. Muitas vezes é este número que mais pesa!

O filtro, o verdadeiro nervo do orçamento

É aqui que se faz a diferença, muito mais do que no design. A maioria dos aparelhos combina um pré-filtro — que retém cabelos, pó e pelos de animais — com um filtro HEPA, que captura as partículas mais finas. Um pré-filtro lavável muda o jogo: passa-se por água, volta a funcionar, e alivia o filtro seguinte. Já um filtro HEPA não se lava: passá-lo por água danifica as fibras, tem de ser substituído.

Filtro HEPA cilíndrico e pré-filtro lavável num purificador aberto
Passado por água, o pré-filtro lavável fica pronto outra vez

A frequência de substituição é indicada pelo fabricante; depende da poluição, dos animais, do tabaco. Três perguntas a fazer antes de pagar: os filtros vendem-se à unidade? A que preço? Haverá ainda peças disponíveis dentro de três anos? Um aparelho cujos filtros desaparecem do catálogo transforma-se numa caixa bonita a trabalhar para o vazio — e é aí que o orçamento descarrila. Desconfie também dos aparelhos que libertam algo, ozono ou perfume: o seu interesse para a saúde respiratória não está estabelecido.

Arejar primeiro, filtrar depois. Areje bem, e várias vezes ao dia se puder, mesmo com frio — quarto, sala e cozinha por prioridade. Nunca tape as grelhas de ventilação nem as entradas de ar das janelas, e limpe-as com regularidade. Um purificador complementa este gesto, não o substitui.

O que pesa no preço

Conte com cerca de 100 € para um formato compacto de quarto, e entre 250 e 450 € para uma coluna de sala. O preço apresentado é apenas uma parte da conta: os filtros de substituição compram-se à parte, segundo a frequência indicada pelo fabricante — muitas vezes uma vez por ano — e custam algumas dezenas de euros, dependendo dos modelos. Um pré-filtro lavável, esse, não custa nada a usar.

Encontra estes aparelhos em grandes superfícies de bricolagem e eletrodomésticos, em farmácias e parafarmácias para os formatos compactos, e em lojas online. Em segunda mão, um reflexo: confirme antes de comprar que a marca ainda vende os filtros correspondentes, senão o negócio é pior do que parecia.

Um aparelho bem escolhido não faz o trabalho por si: acompanha um gesto que já faz. Por isso, antes de comparar caudais e decibéis, abra a janela. É o primeiro gesto, e nenhum aparelho o substitui.