Esta manhã, tiraste o gorro e o cabelo colou-se-te às bochechas. As maçãs do rosto repuxam, as mãos estão ásperas e o tubo de creme do inverno passado deixa uma película branca que só piora as coisas. Nada de preocupante: é a mesma mecânica todos os anos, e dá para contrariá-la bem quando se sabe por que ordem começar. Porque é que a pele repuxa tanto e como se inverte a tendência?

Mãos a segurar um tubo de creme hidratante sob uma luz de inverno
O tubo do inverno passado bem merece uma escolha melhor este ano

Porque é que a tua pele sofre (e o que isso muda)

Quando as temperaturas descem, as glândulas sebáceas abrandam. Produzem menos sebo, esse filme gorduroso que mantém a pele macia e a protege das agressões exteriores. A barreira cutânea enfraquece: a pele repuxa, fica vermelha, às vezes descama. Acrescenta a isso as mudanças bruscas de temperatura — do metro sobreaquecido ao vento gelado em três minutos — e os vasos sanguíneos dilatam e contraem depressa demais. É aí que as vermelhidões se instalam nas bochechas.

Pote de cold cream branco com tampa azul-clara em cima de uma prateleira clara
O cold cream, uma aposta segura para reconstruir a barreira cutânea

O primeiro gesto? Aceitar que a rotina de verão já não aguenta. No inverno, nutre-se mais e limpa-se com menos agressividade.

Duche morna em vez de banho escaldante

Vai contrariar-te, mas o banho escaldante é um falso amigo. Relaxa, é certo, só que ataca o filme hidrolipídico que protege a pele: sais, caminhas dez minutos no frio e a barreira já fragilizada leva o golpe final.

Por isso, duche morna e curta, e esquece os gels de duche muito espumosos e perfumados. Troca-os por um sabonete dermatológico sem sabão, mais suave para o pH da pele. Se não resistires mesmo a um banho até ao pescoço, toma-o à noite e aplica creme logo a seguir, com a pele ainda húmida.

Sabonete dermatológico sólido numa saboneteira de madeira junto a um lavatório
Duche morna e curta: o sabonete sem sabão continua a ser o mais suave para a pele

O creme que não se pode esquecer

Pelo menos uma vez por dia, e não só no rosto — dos pés à cabeça. As pernas são as grandes esquecidas: têm muitas menos glândulas sebáceas do que o resto do corpo. Se só pudesses hidratar uma zona, seria essa.

Mulher jovem a aplicar um creme rico no antebraço num quarto claro
Braços e pernas: as zonas esquecidas merecem a mesma camada rica

Quanto à textura, procura uma fórmula rica e filmogénica, sem perfume se a tua pele reagir. O cold cream — aquela mistura tradicional de cera, óleo e água — continua a ser uma aposta segura: forma um véu protetor, deixa a pele macia e surge também em bálsamo labial, creme de mãos e cuidado facial. Só tens de espreitar a lista de ingredientes: o álcool desnaturado não tem nada que estar no topo.

A ordem certa: duche morna, creme em pele ainda ligeiramente húmida, roupa e só depois rua. Aplicar em pele húmida ajuda a reduzir a perda de água. Cinco minutos, não mais.

Cabelo com frio, gorro e eletricidade estática

O frio seca a fibra, que fica quebradiça e difícil de domar; e assim que tiras o gorro, a eletricidade estática faz das suas. Bastam dois gestos: um tratamento antes do champô uma vez por semana, à base de manteiga de karité ou óleo vegetal, e um creme ou sérum leve nos cabelos secos para alisar ao longo do dia.

Quanto aos acessórios, troca a escova de plástico por uma de cerdas naturais — as sintéticas carregam a fibra. Para o gorro, privilegia a lã, o algodão biológico ou uma viscose de madeira: são mais suaves para o cabelo e fazem bastante menos estática!

Mulher jovem de cabelo castanho ligeiramente eletrizado a segurar uma escova de cerdas naturais em frente ao espelho
Escova de cerdas naturais e óleo vegetal: a rotina antiestática

Não aqueças a casa em demasia

Passar do sofá a 23 °C para o vento gelado: a tua cara não aprecia muito. E o aquecimento seca o ar: pele, nariz e olhos sentem-no ao fim de poucos dias. Um humidificador, uma taça de água em cima do radiador e baixas o termostato um grau. Bom para o rosto e bom para a fatura.

Taça de barro cheia de água em cima de um radiador branco numa sala luminosa
Uma taça de água no radiador e a casa respira melhor

E no prato?

Com temperaturas negativas, o pequeno-almoço não é um detalhe: uma coisa quente, uma fonte de vitaminas — fruta fresca, sumo espremido na hora ou um suplemento se um médico o aconselhar — e, acima de tudo, água. Esquecemo-nos facilmente, mas transpira-se menos e isso não quer dizer que seja preciso beber menos água. Chá, infusão, sopa: tudo conta.

Pequeno-almoço de inverno: infusão a fumegar, sumo fresco e jarra de água numa mesa de madeira
Quente, vitamínico e hidratante: o pequeno-almoço que enfrenta o frio

Orçamento

Quanto às embalagens, as recargas, o formato sólido e os produtos a granel reduzem as embalagens — desde que a recarga exista mesmo para o formato que usas, o que não é garantido. E um rótulo como COSMOS certifica a composição e a percentagem de ingredientes biológicos, não a eficácia nem o local de fabrico: convém sabê-lo quando uma marca faz disso o seu principal argumento.

  • Sabonete dermatológico sem sabão: conta com cerca de 5 € a 12 € pela barra ou pelo frasco de 200 a 400 ml. Na farmácia, fica mais caro do que nos supermercados; a diferença deve-se sobretudo aos ativos e à ausência de perfume.
  • Cold cream ou bálsamo corporal rico: conta com cerca de 8 € a 25 € no formato corporal. Um pote de vidro ou uma recarga fazem baixar o custo por grama a longo prazo.
  • Bálsamo labial e creme de mãos: conta com cerca de 3 € a 15 €, consoante a composição. Confirma se tem cera de abelha ou manteiga de karité, em vez de silicone apenas.
  • Tratamento capilar antes do champô: conta com cerca de 10 € a 30 €. Um frasco de óleo vegetal puro (karité, jojoba, coco) sai muitas vezes mais barato e serve para vários usos.
  • Escova de cerdas naturais: conta com cerca de 10 € a 35 €. A diferença vem do cabo (madeira com certificação FSC, bambu) e do tipo de cerdas.
  • Gorro de lã ou algodão biológico: conta com cerca de 15 € a 60 €, consoante a matéria e a produção local.

Onde encontrar tudo isto? Parafarmácias e farmácias para o sabonete dermatológico e os cuidados para pele reativa; perfumarias, grandes superfícies e sites das marcas para os básicos de corpo; cooperativas de produtos biológicos e marcas online para os óleos vegetais e a lã. Os gestos, aplico-os há vários invernos; as faixas de preço, essas, são documentadas e não foram testadas loja a loja.

Fontes

  • SPDV — Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia, informação para o público: spdv.pt
  • ADENE — Agência para a Energia, referências sobre aquecimento e humidade no interior: adene.pt
  • DGS — Direção-Geral da Saúde, referências gerais sobre hidratação e alimentação: dgs.pt