Há nomes que andam pelos armários de família e que só anos mais tarde começamos a ver com olhos de ver. Chantal Thomass é um pouco isso: uma cinta-espartilho preta herdada de uma irmã mais velha, uma etiqueta que acabamos por achar ferozmente moderna. Desde 1975, a criadora francesa transformou a lingerie em algo mais do que uma peça que se esconde debaixo de uma pilha de camisolas. Fez dela uma peça que se escolhe, se mostra e se assume!

Jovem sentada em frente a uma penteadeira, com sutiã balconet e cueca de renda preta
Um balconet de renda, escolhido primeiro para si

Mas o que mudou realmente, no fundo?

O que a marca veio mudar de vez

Antes dela, a lingerie fina guardava-se para as grandes ocasiões: oferecia-se, arrumava-se, voltava a sair duas vezes por ano, muitas vezes para outra pessoa que não nós. Chantal Thomass inverteu esta lógica. A cinta-espartilho tornou-se uma peça que se ousa, a cinta de ligas um piscar de olho, o balconet uma assinatura de decote. Meio século depois, a linha continua reconhecível entre mil: folhos assumidos, tules vaporosos, laços de cetim, rosa-pó ou preto profundo. O retro, aqui, não é uma homenagem congelada — é uma forma de brincar com os códigos!

Renda preta e cetim rosa-pó com laços, sobre linho marfim junto a um espelho antigo
A cinta de ligas, um piscar de olho em vez de um segredo de gaveta

Concretamente, de que é que estamos a falar? De um bustier que valoriza a cintura, de uma taça que sustenta sem esmagar, de uma tanga ou de uma cueca conforme a vontade do dia. O que decide não é a ficha do produto, mas o tecido e o caimento: renda vazada, tule transparente, microfibra com efeito de segunda pele. E o detalhe que faz a diferença não é o sutiã nem a cueca: é o laço colocado no sítio certo, o folho que segue a linha da anca, a costura que estrutura sem comprimir.

Outra mudança, mais discreta: a compra. A questão do site oficial ocupou conversas durante muito tempo; hoje, já quase não se coloca. A marca encontra-se em loja, online e em muitos revendedores multimarca, como a maioria das casas de lingerie fina.

Como usá-la em 2026

O gesto que faz toda a diferença cabe numa frase: deixa de procurar o conjunto perfeitamente combinado.

Nas últimas temporadas, a lingerie usa-se à vista — isto está documentado, não é invenção. Um top de renda por baixo de uma camisa aberta, um espartilho leve por cima de uma T-shirt branca, uma cueca de cintura alta que espreita ligeiramente de umas calças: a sobreposição funciona quando só uma peça continua a ser protagonista e o resto do vestuário fica discreto. Num look completamente retro, é fácil resvalar para a fantasia. No meu caso, não experimentei estas peças em mim, digo-to com franqueza; a regra, porém, mantém-se: uma peça forte por conjunto, tons próximos (preto, marfim, rosa velho), matérias que dialogam.

Segunda indicação, mais prosaica: a renda lava-se à mão, em água fria, num saco de rede. Secar na horizontal, nunca em cima do radiador.

Três pontos a verificar antes de comprar

  • Balconet ou taça inteira? O balconet desenha o peito e deixa a parte de cima livre; a taça inteira cobre mais. Experimenta os dois: vais perceber em trinta segundos.
  • O tamanho antes de tudo. Em lingerie fina, mais vale um tamanho acima do que uma peça que marca. O conforto decide tudo.
  • Uma só peça bonita basta. Uma cinta de ligas ou um sutiã de renda dá outro ar a um conjunto muito simples.
Conjunto de renda preta usado sobre uma saia de seda marfim, de pé em frente a um espelho de corpo inteiro
O conjunto de renda, escolhido para si e para mais ninguém
Camisola de cetim rosa-pó e cueca combinada vistas de costas, usadas em frente a uma penteadeira antiga
Conjunto cor de pó: o laço de cetim faz toda a diferença nas costas
Mulher de perfil com uma cinta-espartilho de cetim preto com folhos sobre uma blusa marfim, junto a uma janela
A cinta-espartilho, usada como uma peça por inteiro
Jovem de costas em frente a um espelho de corpo inteiro, cinta-espartilho de cetim preto com folhos sobre um vestido de seda creme
No provador, dois centímetros bastam para fazer toda a diferença
Mulher de perfil num quarto, camisa de dormir de seda marfim sob um espartilho de cetim preto, perto de um armário aberto
A peça que se escolhe para si, nunca como um embrulho de presente
Jovem com espartilho de renda preta sobre um vestido de seda marfim, num quarto
Usada para si: a única boa razão para comprar

Quanto custa

Na hora de pagar, conta com cerca de 25 a 60 € por uma cueca de renda, 60 a 130 € por um sutiã, 110 a 250 € por um conjunto e, para uma cinta-espartilho ou um espartilho, conta antes com 150 a 350 €. Uma camisa de dormir ou um top fino costuma situar-se entre 70 e 180 €. Estes intervalos variam consoante a cidade, a gama e a época do ano: numa loja física, pagas o preço de tabela; em multimarcas online, outlet ou saldos, a mesma peça desce um degrau.

O mercado em segunda mão continua a ser a opção mais interessante, mesmo para lingerie fina nunca usada: entre 10 e 50 € por uma peça bonita, desde que verifiques o estado dos elásticos e a limpeza das rendas.

Quanto aos materiais, sejamos claras: a renda fina é muitas vezes uma mistura de poliamida e elastano, e não existe uma cadeia de reciclagem têxtil verdadeiramente madura para estas peças. O gesto mais útil continua a ser comprar menos, escolher o tamanho certo e cuidar bem. Se procuras fibras mais limpas, o algodão biológico certificado GOTS e o lyocell existem, e a certificação OEKO-TEX Standard 100 garante que o têxtil foi testado e cumpre limites para certas substâncias indesejáveis — mas o caimento de uma renda fina é difícil de igualar. A decisão é tua.

O que vale, honestamente

Vamos ser claras: a lingerie fina custa mais do que um básico de hipermercado e exige cuidados. A oferta de tamanhos também continua mais estreita do que nas lojas especializadas em sustentação para peito grande. Experimentar em loja vale mais do que encomendar às cegas — numa cinta-espartilho, dois centímetros fazem toda a diferença.

Fica o essencial. Chantal Thomass elevou uma peça que se escondia ao estatuto de arte e transformou-a numa peça que se escolhe para si. O veredicto: sim, mas com uma condição. Compra-a para ti, não como um embrulho de presente que se apressa a rasgar.