
A minha amiga Camille mandou-me uma fotografia outro dia: dez unhas pintadas de castanho profundo, quase chocolate. «Sinto que tenho as mãos sujas», escreveu-me. Dois dias depois, a mesma manicura aparecia nos stories e ela falava dela como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. O que prova que, às vezes, uma cor só precisa de tempo para nos conquistar.

Durante muito tempo, o verniz resumia-se a duas opções: vermelho ou rosa. Charmoso, intemporal, um pouco repetitivo. Hoje, quem ocupa o terreno são os tons que ninguém esperava — castanho, taupe, caramelo, cinzento. Cores que vestem a mão sem gritar e que dão às pontas dos dedos tudo menos um ar de já visto.

O castanho veio para ficar
Digamos as coisas como elas são: o castanho já não é uma escolha por defeito. Quando a Pantone elegeu o Mocha Mousse como cor do ano de 2025, o tom ganhou estatuto. Desde então, as manicuras «latte» e «chocolate» inundaram as redes sociais, do bege cremoso ao praliné mais escuro.
A razão é simples e provavelmente já a confirmaste na tua própria mão: um castanho bem escolhido não suja, aquece. Só é preciso acertar na profundidade. Um castanho demasiado acinzentado pode apagar um tom de pele claro; um castanho demasiado avermelhado resvala depressa para o bordô. A referência certa? Uma textura opaca em duas camadas, sem transparência leitosa — o efeito «posso entrar numa reunião sem pensar nisto».

Do taupe ao cinzento, os neutros que dão estrutura
O taupe é o compromisso inteligente entre o cinzento e o castanho. Fica bem a quase toda a gente, combina com qualquer roupa e perdoa uma unha um pouco estragada. Tem um senão: passa quase despercebido. Se procuras um resultado mais nítido, avança antes para o cinzento.
O cinzento, por sua vez, teve má fama durante muito tempo, associado a unhas cansadas. Mal doseado, às vezes é verdade. Mas um cinzento ligeiramente azulado e bem opaco dá um ar limpo, quase gráfico. É o tom que sugiro quando hesitares: dá estrutura à mão sem a sobrecarregar.

A aplicação que faz a diferença
A cor faz metade do trabalho; a aplicação faz o resto. Primeiro, uma base lisa: protege a unha e disfarça as irregularidades. Depois, duas camadas finas em vez de uma espessa — é o que evita as marcas e faz secar mais depressa. Por fim, um top coat, que prolonga a duração por alguns dias e devolve o brilho. Este ritual leva poucos minutos e nota-se mesmo no resultado.

Quanto à textura, as fórmulas atuais são mais fluidas do que antes e secam muitas vezes mais depressa, mas continuam a ser produtos cosméticos: areja o espaço e fecha bem o frasco.
Queres uma opção mais limpa? Várias marcas francesas trabalham fórmulas ditas «10-free» ou «12-free». Estas designações não têm uma definição regulamentar única: variam de marca para marca. Costumam excluir alguns ingredientes controversos, nomeadamente tolueno, formaldeído ou resina de formaldeído e certos ftalatos; vale a pena confirmar a lista exata no frasco. Não testei todas estas referências durante um período prolongado, por isso dou-te isto como uma pista documentada, não como um veredicto. A Kure Bazaar e a Manucurist reivindicam bases de origem vegetal; a Zao Makeup propõe vernizes recarregáveis com tampa de bambu (frasco de vidro). E confirma sempre a composição no rótulo: «natural» não é um selo, é um argumento comercial. Em Portugal, os cosméticos estão sob a alçada do INFARMED — em caso de dúvida sobre um rótulo, é a essa entidade que deves recorrer.






Preços
O verniz continua a ser uma das compras de beleza mais baratas — desde que saibas onde procurar. Em supermercados ou em marca branca, conta com poucos euros por frasco. Em farmácias, parafarmácias e perfumarias (Sephora, Wells, Perfumes & Companhias, Notino) ou nas marcas francesas «clean», mais na ordem dos 10 aos 20 €. Nas grandes casas (Chanel, Dior), é preciso contar com 25 a 35 €. Os valores variam consoante a loja e as promoções, por isso compensa comparar antes de decidir.
Nos salões, uma manicura clássica fica em geral entre 15 e 40 €, dependendo do serviço e da cidade; uma semipermanente ou uma aplicação em gel sobem depressa acima disso. O que faz variar a conta: a gama, a formulação (brilho, duração), a existência de recarga e o local de compra. Online os preços são muitas vezes mais suaves do que em loja, mas não te esqueças dos portes.
Fontes
- Pantone Color Institute, «Color of the Year 2025: PANTONE 17-1230 Mocha Mousse» — pantone.com
- Kure Bazaar, site oficial — kurebazaar.com
- Manucurist, site oficial — manucurist.com
- Zao Makeup, site oficial — zao-makeup.com
- Regulamento (CE) n.º 1223/2009 relativo aos produtos cosméticos — eur-lex.europa.eu
- INFARMED, produtos cosméticos — infarmed.pt





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