Conheces aquele momento em que te sentas na cadeira do cabeleireiro e, antes do primeiro golpe de tesoura, sentes que vai ser longo? No Kenzen, em Clermont-Ferrand e em Issoire, em França, entra-se de outra forma: um busto de Shiva recebe-te, de olhos semicerrados, e o habitual vozerio não faz parte do programa.
Vincent e Florence Potdefer assumiram este salão em 2008, no segundo piso do Centre Jaude, depois de uma liquidação judicial. Em vez de remendar o que existia, deitaram tudo abaixo: o equipamento, a decoração, a disposição. Não por capricho — o espaço, apesar de recente, parecia-lhes frio. E um salão frio sente-se até no gesto.
Ken e Zen, ou a energia que circula
O nome diz a intenção: Ken e Zen, ou seja, «sadio e equilibrado». O espaço foi repensado segundo os princípios do Feng Shui e da geobiologia, com a agência TAO in, e o Kenzen afirma ser o primeiro na Auvergne a fazê-lo.
O Feng Shui não é nenhum gadget de decoração. A ideia é deixar a energia circular sem obstáculos, regular a luz, cuidar dos materiais. Num salão, isso nota-se em duas coisas ao mesmo tempo: no conforto de quem está na cadeira e na forma como o cabeleireiro trabalha.
O busto de Shiva dá o tom. Na tradição hindu, este deus tem mil e oito nomes e encarna um ciclo: destrói um mundo quando fecha os olhos e abre outro quando os volta a abrir. A sua montada, o touro, simboliza a substância; apoia-se no leão, imagem da energia. Leitura da casa: recomeça-se a partir de uma folha em branco.
A equipa é formada por sete colaboradoras, cujos contratos foram mantidos quando o salão foi retomado. É um detalhe que conta, até porque as liquidações deixam muitas vezes pessoas sem emprego.

Natural, sim, mas qual?
O Kenzen destaca colorações à base de produtos naturais, tratamentos com óleos essenciais e uma instalação técnica pensada para limitar o desperdício de água. No papel, é coerente com o espírito do lugar.

Atenção, no entanto, para não confundir «natural» com «sem risco». Uma coloração vegetal não clareia: a henna, o índigo e a cássia depositam cor, sem clarear um castanho escuro. Para clarear, é preciso outra coisa — e o gesto merece ser explicado com clareza, no salão.
Antes de qualquer coloração dita natural, pede uma aplicação de teste numa madeixa e a composição exata. A palavra «natural» não é regulada: certificações precisas, como Cosmébio ou Ecocert, garantem uma percentagem de ingredientes biológicos e uma carta de fabrico.
O que muda na cadeira
Um salão pensado como um ritual sente-se. Luz mais suave, materiais mais acolhedores, ritmo mais lento: raramente sais com um tom de papel machê depois de duas horas sob um néon frio. Não é magia, mas o conforto faz parte do cuidado.

O bom reflexo é fazer perguntas. Que formulação tem esta máscara? Que textura para o teu tipo de cabelo — fino, espesso, encaracolado — e que duração esperar ao fim de alguns champôs? Se a resposta continuar vaga, desconfia.
Quanto custa
Os preços variam muito de salão para salão. Em Clermont-Ferrand, conta com cerca de 30 a 80 € por um corte feminino, 60 a 150 € por uma coloração vegetal e 15 a 40 € por um tratamento profundo. As diferenças vêm do comprimento, da técnica do gesto e da gama escolhida.
O bio custa mais caro, é um facto: as matérias-primas são mais dispendiosas. Estes serviços encontram-se sobretudo em salão; para os cuidados para usar em casa, procura em perfumarias, lojas de produtos biológicos ou online.





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