A hena pura e a hena «composta» têm tanto em comum como um café expresso bem apertado e um café instantâneo: a promessa na embalagem é a mesma, mas o que se bebe é outra coisa. A primeira é pó de folhas de Lawsonia inermis, e só isso. A segunda é uma mistura — de plantas, às vezes, e às vezes de bastante mais do que isso. Consoante o saquinho que agarras, não vais ter o mesmo ruivo, nem a mesma fixação nos cabelos brancos, nem o mesmo comportamento se daqui a seis meses houver uma coloração química à tua espera.

O que vem realmente dentro do saquinho

A hena pura não engana: uma única planta, reduzida a pó verde, que dá reflexos acobreados a alaranjados. A hena «composta» mistura a lawsonia com outros pós vegetais — índigo (Indigofera tinctoria) para puxar para o castanho, cássia para um efeito neutro, amla, às vezes ruibarbo — e, por vezes, com aditivos que já nada têm de vegetal. Então porque é que o mesmo gesto dá resultados tão diferentes?

Dois frascos de pó de hena abertos, um puro, outro misturado com plantas
Pó puro ou mistura: a lista de ingredientes fala antes do nome

São esses aditivos que levantam dúvidas. Algumas misturas incluem-nos para dourar ou fixar a cor, e nem sempre são vegetais. Daí o reflexo simples: a lista de ingredientes antes do nome bonito na caixa. «Hena natural» não significa hena só.

Cabelos brancos: fundem, não cobrem

É aqui que a diferença salta à vista. A hena pura não «cobre» os cabelos brancos no sentido em que se espera de uma coloração clássica: tinge-os, mas num tom mais claro e mais vivo do que o resto, com uma viragem alaranjada bastante luminosa. Num cabelo grisalho, o resultado é bonito, vivo, um pouco selvagem, e os brancos continuam a ver-se.

Madeixas brancas e reflexos acobreados num cabelo castanho após hena pura
Nos brancos, a hena pura deixa um véu acobreado luminoso

As misturas com índigo puxam para o castanho e integram-se melhor. Atenção, ainda assim: nos cabelos brancos, o índigo agarra de forma irregular, e o resultado varia de uma vez para a outra. Não te vou dar uma percentagem de cobertura, ninguém com dois dedos de testa o fará: tudo depende da proporção de brancos, da porosidade e do tempo de atuação. Conta mais com uma fusão do que com uma cobertura total.

O ruivo muda de cara conforme a tua base

Na tua cabeça, o resultado vai ser o quê? Depende do ponto de partida. Base escura: a hena não clareia, sobrepõe-se. Não vais ficar com uma juba ruiva flamejante, mas com reflexos acobreados que acendem ao sol e ao longo do comprimento — discretos, lindos num castanho. É a surpresa da primeira vez: esperamos vermelho, sai um halo.

Reflexos acobreados em cabelo castanho: o resultado da hena conforme a base
Numa base escura, a hena acende reflexos acobreados

Base clara: tudo se intensifica. Num loiro, a hena pura pode ficar num laranja cenoura muito franco, sobretudo nas zonas já clareadas ou danificadas, que bebem a cor. Daí a madeixa de teste, apanhada na escova ou discretamente na nuca, tingida com a pasta real e o respetivo tempo de atuação. Um pouco de paciência — esse tempo de atuação verdadeiro — e evitas ter de esconder um desastre debaixo de um gorro.

Se uma coloração química vier depois

A pergunta volta muitas vezes, e não é inócua. Antes de uma coloração química, é melhor falares com o teu cabeleireiro: ele aconselha-te sobre a compatibilidade com o teu histórico capilar e adapta a fórmula, ou recusa com prudência.

Teste cutâneo de pasta de hena no antebraço antes de uma coloração
Um teste cutâneo antes de qualquer tintura, mesmo vegetal

Anota a data da tua hena: é uma informação útil para ele. A hena pura também não é «isenta de risco» — uma alergia continua a ser possível, como em qualquer tintura — por isso, na prática, recomenda-se um teste cutâneo prévio: nunca é tempo perdido.

O memorando do saquinho: uma única planta (Lawsonia inermis) para um ruivo franco; índigo na lista para um castanho; se a composição tiver aditivos ou ingredientes que não conheces, devolve a caixa à prateleira. E mistura num recipiente de vidro ou cerâmica, não numa tigela de metal.

Orçamento

O pó puro é muitas vezes o mais barato: conta com 5 € a 15 € por 100 g a granel, em loja de produtos naturais, drogaria ou mercearia indiana — dá para várias aplicações, consoante o comprimento! As embalagens compostas custam entre 8 € e 20 €, sem garantia de uma composição mais séria; junta um par de luvas, e uma tigela velha reciclada serve perfeitamente.

No salão, o serviço de «coloração vegetal» situa-se entre 50 € e 120 €, conforme a cidade, o comprimento e o tempo despendido. É mais caro, mas paga-se a avaliação da tua base e a mistura feita à mão.

No fundo, a questão não é «hena ou não hena», mas «que hena, para que resultado». Se procuras um ruivo luminoso e assumes brancos mais claros, um pó puro chega e sobra. Se queres um castanho fundido, terás de compor — lendo a lista até ao fim. E se houver uma coloração química à tua espera, diz ao teu cabeleireiro antes, não depois: é o único gesto que resta quando só tens cinco minutos.