Fotorejuvenescimento para uma pele mais uniforme

Uma mancha castanha que se instala na tua bochecha depois de dois verões de despreocupação com o protetor solar, vermelhidão que aparece nas maçãs do rosto sem avisar: é muitas vezes nessa altura que ouves falar de fotorejuvenescimento. Não testei isto em primeira mão — é um ato médico, não se improvisa entre duas marcações —, por isso vou desbastar o tema a partir de fontes sérias, sem te vender sonhos.

Como funciona

O fotorejuvenescimento envia para a pele uma luz intensa e pulsada, a IPL, de «luz intensa pulsada», ou, consoante o aparelho, um laser fracionado. O mecanismo é simples: essa luz é absorvida por dois alvos naturalmente presentes na pele, a melanina, na epiderme, que dá cor às manchas castanhas, e a hemoglobina, nos vasos da derme, responsável pela vermelhidão e pelos pequenos vasos visíveis. Um pouco como um íman que só retivesse certas partículas: a luz escolhe os seus alvos.

Grande plano da pele escura de uma mulher, textura natural tocada por uma luz quente

A energia absorvida transforma-se em calor e procura destruir a lesão de forma seletiva, limitando os danos nos tecidos saudáveis à volta — sem garantir, no entanto, a ausência de efeitos indesejáveis. Como qualquer ato médico, pode provocar vermelhidão, edema, crostas, alterações de pigmentação ou queimadura, e cabe ao médico avaliar os riscos. Mais em profundidade, o aquecimento da derme está provavelmente envolvido num estímulo à produção de colagénio e elastina, as duas fibras que sustentam a elasticidade e a densidade da pele — embora a resposta dependa do aparelho, dos parâmetros e da tua pele. É o que se costuma avançar para explicar um efeito mais amplo do que o simples tratamento de manchas: um possível impulso à qualidade da tez e ao grão de pele, a confirmar caso a caso.

O que pode melhorar

A técnica é muitas vezes referida para manchas pigmentares ligadas ao sol e ao envelhecimento, mas a sua eficácia depende da indicação, do aparelho e da tua pele. Rosto, colo, mãos, ombros: as zonas expostas podem estar em causa, depois de avaliação médica. Ou seja, são os locais que a vida mais expôs que concentram as expectativas.

Colo de uma mulher asiática de pele clara, textura natural, luz suave e neutra

Quanto à vermelhidão, é por vezes usada para eritema difuso e telangiectasias, muitas vezes ligados a cuperose, mas os resultados variam de pele para pele. As cicatrizes, sobretudo as marcas de acne, e as estrias também são indicações por vezes referidas, com benefícios inconstantes e a avaliar com um dermatologista. Em peles com tendência acneica, pode melhorar o aspeto dos poros e da textura, sem que isso esteja garantido.

Sejamos claras: não apaga tudo. Também não é uma técnica de remoção de tatuagens: tratar uma tatuagem exige lasers específicos, adaptados à cor da tinta. E não é um lifting — tonifica, alisa, mas não levanta o óvalo facial. Mais vale saber isto antes de avançar.

Na prática, como decorre

Primeiro ponto, não negociável: é um ato médico, realizado por um dermatologista com formação na técnica. Nada de sessões numa esteticista com um aparelho que promete resolver tudo — não se brinca com uma luz que aquece a pele como se fosse uma lâmpada de salão.

Paciente deitada num consultório de dermatologia, óculos de proteção e gel, peça de mão aproximada da bochecha

No consultório, a pele é limpa, os teus olhos ficam protegidos com óculos e aplica-se um gel para amortecer o calor. O médico passa a peça de mão pelas zonas definidas. A sensação? Formigueiros a cada pulsação, seguidos de aquecimento — desagradável, raramente doloroso. Nada de insuportável, mas também não é uma sessão de spa.

O número de sessões e o intervalo entre elas decidem-se caso a caso: variam consoante o aparelho, a indicação, o teu fotótipo e a opinião do profissional. Um acompanhamento com fotografias antes/depois ajuda a perceber o que mudou realmente.

Pele bronzeada ou morena: pára tudo. O risco é queimadura e despigmentação — manchas brancas por vezes definitivas em peles escuras. O fotorejuvenescimento é geralmente reservado a peles claras a médias, sem exposição solar recente e sempre depois da avaliação do médico.

Depois da sessão, o cuidado que faz toda a diferença

Algumas horas de vermelhidão são normais. As manchas tratadas ficam primeiro mais escuras durante alguns dias e depois clareiam progressivamente. Podem formar-se pequenas crostas: não lhes toques, caem sozinhas. Portanto, paciência — o resultado não se vê no dia seguinte.

O cuidado que faz toda a diferença é a fotoproteção: um protetor solar de índice elevado, todas as manhãs nas zonas tratadas, durante o tempo que o médico recomendar. Não é garantia por si só, mas limita o risco de as manchas piorarem ou voltarem, e faz parte das indicações após o procedimento. Um cuidado reparador sem perfume, muitas vezes prescrito durante alguns dias, acalma a pele e ajuda na cicatrização. Na textura, procura algo simples, com poucos ativos, em frasco com doseador ou recarregável em vez de um boião onde se enfia o dedo: a tua pele fragilizada não precisa de dez ingredientes.

Quanto custa

Em Portugal, não há tarifa única. Uma sessão para uma zona limitada — bochechas, mãos — pode ter um valor variável; para o rosto inteiro, o orçamento sobe. A título de referência, em França, os intervalos mais citados são 100 a 250 € para uma zona limitada e 200 a 400 € para o rosto completo. Um pacote de rosto, pescoço e colo pode subir bastante. Estes valores variam consoante o profissional, a cidade, o aparelho utilizado e o número de sessões previstas — muitas vezes são necessárias várias sessões, sem garantia de resultado. Por isso, pede sempre um orçamento claro: não existe um preço fixo.

Onde fazer: em consultórios de dermatologia ou centros de medicina estética. Não se encontra em perfumarias nem em farmácias. Os aparelhos de IPL domésticos (muitas vezes 100 a 500 €) existem, mas a energia fica bem abaixo da de um aparelho médico: não são equivalentes, são apenas um compromisso de manutenção. O fotorejuvenescimento, esse, pensa-se sobretudo no inverno, quando o sol é mais discreto e dá para te protegeres sem grandes sacrifícios. Na pele? Um tom mais uniforme, sim, muitas vezes — um milagre, não, nunca. O verdadeiro luxo, aqui, é tirares tempo para falar com um profissional antes de avançar.

Fontes