O teu rosto anda sem luz, os poros parecem-te enormes e aquela pequena cicatriz de acne na bochecha faz-te recuar dez anos? Então já deves ter cruzado um daqueles vídeos de pele a descamar às tiras, filmados numa casa de banho. Por trás do espetáculo há um ato médico a sério: o peeling dermatológico. É o procedimento que faz diferença — desde que saibas o que te estão a propor e, sobretudo, quanto te vai custar.

O princípio, sem rodeios

A palavra vem do inglês to peel, descamar. No papel, a lógica é simples: depois de várias semanas de preparação, o médico aplica uma solução ácida na pele para desencadear uma esfoliação controlada. As células mortas saem, a pele renova-se e a produção de colagénio volta a arrancar. O que se pode esperar disto? Uma tez mais luminosa, linhas finas suavizadas, manchas de pigmentação atenuadas, uma textura mais fina e marcas de acne ou estrias esbatidas — sem garantia de desaparecimento total, porque cada pele reage à sua maneira.

Textura de um gel esfoliante transparente numa taça de vidro, com um pincel ao lado

Atenção: não estamos a falar de um esfoliante caseiro em versão reforçada. É um protocolo médico, com preparação, acompanhamento e, por vezes, alguns dias de descamação para assumir à frente dos colegas e do carteiro.

Três profundidades, três utilizações

Superficial. Atua apenas na camada córnea da epiderme. É a dose de luminosidade dos 20-30 anos: primeiras linhas finas, pequenos botões, cloasma da gravidez (a chamada máscara da gravidez). Na fórmula, ficamos pelos ácidos de fruta (AHA) ou pelo ácido glicólico, com uma descamação fina ao longo de alguns dias.

Três frascos conta-gotas de tonalidades graduadas alinhados sobre uma pedra clara

Médio. Desce mais fundo para corrigir: rugas marcadas, manchas já instaladas. Os protocolos variam, muitas vezes à base de ácido tricloroacético (TCA). As consequências são mais evidentes e obrigam a uma semana inteira — é melhor planear alguns dias sem compromissos sociais.

Profundo. Com fenol, destina-se a peles maduras (45 anos ou mais) com rugas profundas ou cicatrizes marcadas. O resultado instala-se progressivamente, mas este protocolo é hoje raramente praticado devido aos riscos sistémicos.

O ritual, passo a passo

O sucesso joga-se, antes de mais, na preparação. Três a quatro semanas antes, o dermatologista prescreve um creme que uniformiza a pele. No dia marcado, a aplicação leva entre 10 e 30 minutos; sentes calor e, por vezes, picadas. A boa notícia: a maioria dos peelings ligeiros dispensa anestesia.

Jovem mulher asiática de chapéu a aplicar protetor solar à sombra

Depois, vermelhidão e descamação mais ou menos acentuadas conforme a profundidade: conta com três a sete dias num superficial e cerca de dez num médio. E há um ponto não negociável: protetor solar SPF 50 todas as manhãs, chapéu e nada de sol direto — mesmo que o céu esteja cinzento, a tua pele em reconstrução não está para negociações.

O peeling não se improvisa. Esquece as fórmulas «caseiras» com ácido e as sessões improvisadas em centros de estética para um peeling médio ou profundo. Procura um dermatologista, pergunta que ácidos, que concentração e que profundidade. Um banho de sol imediatamente antes ou depois? Adia-se, sem discussão.

Quem deve ficar de fora

Gravidez, amamentação, infeção cutânea em curso ou um surto de herpes: a sessão adia-se, sem hesitar. Outro ponto essencial: em peles morenas a escuras, o risco de mancha pós-inflamatória é mais elevado. Uma preparação específica de várias semanas e concentrações adaptadas tornam-se, aí, indispensáveis.

Um tratamento recente com isotretinoína ou retinoides também é um travão. Na prática, o teu dermatologista vai avaliar a tua pele caso a caso — é precisamente esse o papel dele, e não o de um vídeo no TikTok.

Quanto custa

Num instituto de beleza, um peeling superficial ronda os 60 a 120 € por sessão. Num consultório de dermatologia, os valores sobem para 150 a 400 €, conforme a área tratada e a profundidade; um peeling profundo fica acima disso, sempre em contexto médico rigoroso. São intervalos indicativos: a cidade, a reputação do médico e o número de sessões fazem variar bastante a fatura.

O que faz subir a conta? A cidade, o nome do médico, a extensão da zona tratada e, sobretudo, o número de sessões — habitualmente três a cinco para um resultado visível. Quanto a comparticipações, na grande maioria dos casos o peeling estético fica por tua conta: pede um orçamento antes de marcar, para não haver surpresas desagradáveis.

Vale também a pena saber distinguir: uma sessão única vendida como «peeling relâmpago» não tem nada a ver com um protocolo verdadeiro, preparado, espaçado e acompanhado. Não é, definitivamente, o sítio para poupar.

Fontes