Como escolher a escova de cabelo certa
Investiste numa boa máscara, manténs a rotina há meses e o cabelo continua sem brilho. E se o culpado não for o cuidado, mas sim a ferramenta que desliza por ele todas as manhãs? A escova é o gesto mais repetido da rotina — e, provavelmente, o menos questionado. Vamos ver o que conta mesmo, antes de tirares o cartão da carteira.
As cerdas antes de tudo
Três famílias, um único critério: será que raspam?
As cerdas de javali são macias e distribuem o sebo da raiz até às pontas — daí um cabelo muitas vezes mais brilhante e com um acabamento mais liso. Em contrapartida, não dão conta de um nó grande e não toleram bem a água: guarda-as para cabelo já desembaraçado e seco.
As cerdas de nylon macio ou de resina, com pontas arredondadas, continuam a ser as mais versáteis: passam pela massa sem arrancar. Já as metálicas, ou as de plástico duro com uma bolinha na ponta, prendem, estragam a fibra e fazem puxar o couro cabeludo. A evitar em cabelo frágil ou emaranhado.

Uma escova para cada tipo de cabelo
Cabelo liso e comprido: uma escova plana e larga, de cerdas macias e compridas, que se desce da raiz até às pontas. Simples e eficaz.
Cabelo ondulado ou encaracolado: pára com a escovagem a seco, que quebra a onda e faz inchar a massa. O desembaraço faz-se depois do champô, primeiro com os dedos e depois com um pente de dentes largos. A escova redonda só serve para o brushing.
Cabelo fino: cerdas macias e espaçadas, nunca uma escova demasiado densa que puxe.
Cabelo espesso: escova plana de cerdas longas de nylon — quanto mais longas, mais atravessam a massa sem arrancar.
Nós grandes: um pente de dentes largos, de madeira ou de carbono. Começa pelas pontas e sobe camada a camada, sem forçar.
Cabo e calor
O cabo conta mais do que se imagina. Um modelo demasiado pesado ou que escorrega obriga-te a apertar, e o gesto torna-se brusco. Testa o agarre antes de comprar, nem que tenhas de dar umas voltas na prateleira.
Para um brushing, escolhe uma escova redonda com corpo de cerâmica, com um diâmetro adaptado ao teu comprimento. E baixa a temperatura do secador: o que estraga a fibra é, antes de mais, o calor — não a escova.
A escova também se lava
Lavas o cabelo duas vezes por semana e a escova… nunca? Acumula sebo, resíduos de laca e pó, que depois depositas outra vez num cabelo acabado de lavar. Tira os cabelos depois de cada utilização e lava-a com regularidade: água tépida, um pouco de champô suave, uma fricção entre as cerdas e secagem com as cerdas viradas para baixo.
Quanto custa
Não vale a pena ir para o topo de gama. Conta com cerca de 5 a 15 € por uma escova plana de resina em condições, no hipermercado, numa perfumaria ou parafarmácia. Uma escova plana de madeira de faia, com cabo e cerdas incluídos, fica mais entre os 12 e os 30 €, conforme a marca e o ponto de venda. Para uma escova redonda com corpo de cerâmica, aponta para 10 a 35 €: as versões com revestimento cerâmico ou iónico sobem mais, sem qualquer garantia de um resultado superior.
O preço varia com a cidade, o material e o circuito de distribuição. Um pente de dentes largos de madeira ou de carbono encontra-se a partir de 6 a 8 €, muitas vezes em drogaria, loja de produtos naturais ou online. Uma escova de cerdas de javali sobe facilmente para os 25 a 60 € — atenção: nem todos os modelos vendidos com esse nome contêm cerdas de javali, por isso lê o rótulo e confirma a densidade real das cerdas.
Quanto ao fim de vida, uma escova toda de madeira ou de bambu, com cerdas de madeira, recicla-se mais facilmente do que um cabo de plástico sobreinjetado com borracha, que vai para o lixo num só bloco. Vê também a proveniência: algumas marcas europeias ainda produzem cá perto, outras limitam-se a montar. O selo FSC na madeira garante uma gestão florestal enquadrada, nada mais — não é, por si só, um argumento de sustentabilidade.
O teste dos três segundos na loja: passa a palma da mão pelas cerdas — se picarem, deixa ficar. Depois pressiona a escova plana: se não ceder um milímetro, vai ser demasiado rígida nos teus nós. Estas referências vêm de conselhos de dermatologistas e de fontes públicas, não de um teste caseiro.
No fundo, o critério menos glamoroso — a macieza das cerdas — é o que mais se nota no dia a dia. Uma escova em condições, lavada com regularidade, chega perfeitamente.
Fontes
- American Academy of Dermatology (AAD), conselhos sobre os cuidados com o cabelo e o couro cabeludo — Cuidados com o cabelo e o couro cabeludo, consultado em 2026.
- Société Française de Dermatologie (SFD), informação ao público sobre o couro cabeludo — Société Française de Dermatologie, consultado em 2026.





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