Sais do duche, passas a mão pela boca e sentes a pele a repuxar. Ou acordas com uma rachadela no canto dos lábios e pensas logo que é do inverno. O inverno é apenas um dos culpados: esta zona não tem as mesmas defesas que o resto do rosto e leva com mais força.

Porque é que os teus lábios cedem antes do resto
A pele dos lábios é mais fina e menos protegida do que a do rosto. O frio, o vento, os UV, a saliva, a respiração pela boca durante a noite, um batom de longa duração que seca: a barreira danifica-se e a sensação de repuxar instala-se. Vamos ser claros: um bálsamo não repara nada. Volta a formar uma película à superfície, enquanto a pele faz o seu trabalho. Não é pouco, mas também não é magia.

«Bio» só conta se o rótulo o disser
Na prática, «bio» numa embalagem só vale se tiver um selo por trás. Dois referenciais a conhecer: a Cosmébio, que certifica cosméticos biológicos franceses, e o COSMOS-standard europeu, promovido, entre outros, pela Ecocert. O selo define a percentagem de ingredientes naturais, a parte de vegetal bio e o mínimo de bio no total. É essa a informação que interessa — não a florzinha bonita impressa na tampa.

Uma nuance importante: bio não significa sem reações. Os óleos essenciais, os perfumes naturais e até a cera de abelha podem sensibilizar uma pele que reage facilmente. Se for o teu caso, procura uma fórmula curta, com o menor número possível de ingredientes. Pensa também no fim de vida do produto: stick em cartão, boião de vidro, recarga quando a marca a disponibiliza — é sempre menos plástico a circular.

É a fórmula que dita o gesto
Manteiga de karité, manteiga de cacau, cera de abelha ou de carnaúba: são estes ingredientes que criam a película protetora. Quanto mais cera tiver a fórmula, mais o bálsamo fica à superfície — perfeito para a noite, menos confortável por baixo de um batom. Durante o dia, um stick mais leve, de textura fundente, assenta melhor.


A forma de aplicar também conta: aplica numa camada fina, sobre lábios limpos, sem esfregar, e para de lamber. Atenção às fórmulas muito mentoladas ou com cânfora: a sensação de frescura dá vontade de passar a língua por cima, e o ciclo recomeça.
Um bálsamo bio que arde, que pica ou que cheira demasiado forte não é mais eficaz do que um produto simples. Três passagens finas, de manhã e à noite, valem mais do que uma camada espessa que nunca penetra.
A conclusão da Léna: sim, um bálsamo com selo vale mais do que um tubo perfumado escolhido ao acaso — com uma condição. Lê a composição e não esperes mais do que um cuidado de superfície. Já é muito por alguns euros.

Preços
Nos preços, as diferenças são reais, mas razoáveis. Um stick ou bálsamo com certificação bio encontrado em supermercado, loja de produtos naturais ou farmácia: conta com um preço entre 4 € e 8 € por embalagem. Uma marca histórica de parafarmácia ou de loja bio: situa-se entre 7 € e 12 €. Um formato premium, em vidro, ou um cuidado concentrado: sobe para entre 15 € e 25 €. E quando existe recarga, costuma ficar abaixo do preço da embalagem original — bom para a carteira e para a quantidade de embalagem.

O preço varia consoante o selo, a percentagem de bio, a capacidade e a gama. Onde comprar: parafarmácias, lojas de produtos naturais, lojas da marca, perfumarias e sites oficiais.

Fontes
- Cosmébio (cosmebio.org)
- COSMOS-standard (cosmos-standard.org)
- Ecocert (ecocert.com)





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