Conheces aquele momento: o maxilar que aperta, os ombros que sobem em direção às orelhas, a respiração que encurta três minutos antes de uma entrevista. O corpo sente tudo muito antes de a cabeça encontrar as palavras. A sofrologia propõe inverter a ordem das coisas: começar pela respiração e pelas sensações, para depois acalmar o mental.
Um método nascido em 1960, pensado como prevenção
Foi o neuropsiquiatra Alfonso Caycedo quem lançou as bases em 1960. O princípio cabe em poucas linhas: respiração lenta, relaxamento muscular, visualização de imagens tranquilizadoras e, no fim, regresso ao que aconteceu no corpo durante o exercício. Nada de espetacular, portanto, mas um treino regular. A lógica não anda longe da do tai chi ou do qi gong: gestos lentos e repetidos que ajudam a acalmar o sistema nervoso.
Na prática, um ciclo de sofrologia parece um pequeno ritual de alguns minutos, para fazer sentado, de pé ou deitado. Não é preciso material: basta um sítio onde ninguém te venha falar durante dez minutos.

O que já se sabe e o que ainda não se sabe
As técnicas de relaxamento têm um efeito documentado na forma como se sente o stress e a ansiedade. Neste ponto, as revisões da literatura convergem. Já os trabalhos especificamente sobre sofrologia são menos numerosos e de qualidade desigual: muitos estudos são pequenos e não têm um grupo de comparação sólido.

Em termos concretos: a sofrologia não é um tratamento. Pode complementar um acompanhamento, apoiar o adormecer, ajudar a recuperar depois de um dia tenso. Nunca substitui a opinião de um médico, sobretudo se a ansiedade se instalar, se o sono se degradar de forma duradoura ou se aparecerem dores sem explicação.
A sofrologia não faz diagnósticos nem substitui qualquer tratamento. Em Portugal, não existe um título de sofrologista regulamentado na área da saúde: qualquer pessoa pode apresentar-se como tal. Antes de te comprometeres, pede o percurso de formação (nome, duração, escola), há quantos anos a pessoa pratica e se adere a um código deontológico. E, para qualquer sintoma que dure, o médico de família continua a ser o primeiro ponto de contacto.
Um exercício para experimentares esta noite
Senta-te com as costas direitas e os pés no chão. Inspira pelo nariz contando até quatro, expira lentamente contando até seis. Repete cinco vezes, sem forçar. Depois, percorre mentalmente o corpo, dos pés à nuca, e repara apenas no que está tenso, no que pesa, no que está quente. Termina a pensar durante trinta segundos num momento em que te sentiste bem. É curto, e chega para perceberes se esta abordagem te diz alguma coisa.

O corpo não é uma máquina
Muitos artigos continuam a prometer perder peso sem esforço. Esta simplificação merece correção. Os dados atuais sugerem que as dietas muito restritivas são difíceis de manter a longo prazo e que o stress crónico pode influenciar os comportamentos alimentares: petiscar entre refeições, vontade de açúcar, saltar refeições. O trabalho sobre as emoções é, por isso, uma alavanca entre outras, não uma varinha mágica.
Se quiseres mudar a tua relação com a comida, fala com um profissional: médico de família, dietista ou nutricionista. A sofrologia pode acompanhar o processo, não carregá-lo sozinha.

Formar-te sozinho, em grupo ou por videochamada
Três opções, conforme o teu orçamento e a tua disponibilidade. As sessões em grupo, numa associação ou num consultório, são boas para começar e costumam durar uma hora. As sessões individuais permitem ajustar o conteúdo a uma situação concreta. Por fim, os livros e os áudios guiados permitem treinar em casa, o que ajuda se viveres longe de uma grande cidade ou tiveres horários desencontrados.

Orçamento
Conta com 50 a 90 € por uma sessão individual em consultório, muitas vezes 60 a 70 € nas grandes cidades e valores mais altos em Lisboa ou no Porto. Uma sessão em grupo situa-se sobretudo entre 10 e 30 €, com pacotes de dez sessões de preço decrescente. Por videochamada, os preços seguem os do consultório, às vezes um pouco menos.
Os livros de sofrologia custam entre 8 e 23 €; os áudios e aplicações, de 0 a cerca de 15 € por mês. Uma pista económica e discreta: as bibliotecas municipais emprestam gratuitamente muitos guias e CD de relaxamento, o que evita uma compra inútil se a prática não te convier. Se comprares, dá preferência a um livro impresso em papel certificado FSC ou PEFC, quando a menção aparecer na capa.
Nota importante: o SNS não comparticipa a sofrologia. Alguns seguros de saúde incluem um valor para bem-estar que pode cobrir algumas sessões. Confirma as condições antes de reservar e tem em conta que a regularidade da prática conta mais do que o número de marcações.
Fontes
- SNS — Serviço Nacional de Saúde, informação sobre práticas de saúde não convencionais, sns.pt.
- DGS — Direção-Geral da Saúde, área de saúde mental, dgs.pt.
- Organização Mundial da Saúde, nota informativa «Perturbações de ansiedade», who.int.
Os suplementos alimentares não substituem uma alimentação variada e equilibrada nem um estilo de vida saudável.





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