Primeiro dia de férias, um resto de creme espalhado à pressa pelos ombros e, ao fim do dia, a pele a arder. Conheces a cena, admite. O sol não avisa: os raios UV não se sentem nem se veem, e é precisamente aí que está a armadilha. Por isso, em vez de te prometer uma proteção perfeita — que não existe —, voltamos ao essencial, com a bisnaga na mão e sem promessas mágicas.

FPS, UVA e índice UV — o que o rótulo quer dizer

O FPS, ou fator de proteção solar, mede sobretudo a proteção contra os UVB, os que queimam. Quase nada diz sobre os UVA, que envelhecem a pele e contam para o risco de cancro da pele. Desde 2006, uma recomendação europeia exige que a proteção UVA atinja pelo menos um terço do FPS anunciado: é o que indica o logótipo UVA rodeado de um círculo, impresso no rótulo. E 50+ continua a ser o máximo autorizado, porque nenhum creme trava 100% dos raios — é também por isso que a menção «proteção total» está proibida.

Antes de sair, vale a pena espreitar o índice UV no site do IPMA. A partir de 3, a proteção justifica-se; a partir de 8, deixa de ser opcional. A boa notícia: são dez segundos no telemóvel, e valem quase sempre mais do que mais um frasco comprado à pressa.

Mãos a segurar um frasco de protetor solar sem marca, detalhe do formato e do material
O frasco diz muito — só é preciso saber lê-lo

O que muda com o teu tipo de pele

O que conta é o fototipo, não o bronze que se espera. Pele muito clara, cabelo loiro ou ruivo, sardas: FPS 50 ou 50+, e sombra nas horas de maior calor. Pele clara que bronzeia devagar: FPS 30 a 50. Pele morena ou escura: FPS 30 continua a ser a referência prudente, porque uma pele escura também queima, mesmo que se note menos. Índices muito baixos, à volta de 9 ou 15, não chegam para uma exposição prolongada.

Há outros fatores de risco a considerar: antecedentes familiares de melanoma, muitos sinais, alguns medicamentos que tornam a pele fotossensível. Nesses casos, reforça a prevenção e fala com um profissional de saúde, que pode também observar um sinal que esteja a mudar. Na prática, fica com isto: o teu fototipo dá a tendência, a exposição real faz o resto — não vale a pena andar atrás de um bronze recorde a pensar que o índice acompanha.

Pele muito clara e sardas, gesto de proteção à sombra de um guarda-sol
Pele muito clara, sardas — sombra e o índice mais alto

O gesto pesa mais do que o número

Primeiro, a quantidade: conta com cerca de 30 ml para o corpo todo, ou seja, 2 mg/cm², a dose sobre a qual os índices são calculados. Na prática, muita gente aplica menos do que a dose recomendada — e é aí que a conta deixa de bater certo. Depois, o ritmo: renova de duas em duas horas e sempre a seguir a cada banho, a cada transpiração, a cada passagem pela toalha. Seca-te antes de pôr nova camada: «resistente à água» não significa impermeável.

Nuvens, nevoeiro e vento não dispensam proteção solar, e a areia, a água ou a neve refletem os raios — muitas vezes acredita-se que um céu encoberto é sinal de descanso, e é um erro clássico. Um chapéu, uns óculos de sol e uma peça de roupa que cubra continuam a ser mais fiáveis do que qualquer bisnaga. Com um bebé, nada de exposição direta: sombra, têxtil e a opinião de um profissional de saúde.

Gesto generoso de protetor solar vertido na palma e depois espalhado pelo antebraço
Trinta mililitros, dois miligramas por centímetro quadrado — o verdadeiro modo de usar

Duas horas, não mais. Aplicação generosa ao início (cerca de 30 ml para o corpo inteiro) e depois renovação de duas em duas horas, e sempre após um banho, uma transpiração ou uma passagem pela toalha. Um índice elevado protege melhor; não protege durante mais tempo.

Filtros, rótulos e recargas — separar as promessas

Um produto biológico não é, só por isso, um melhor protetor solar: um FPS 30 com certificação protege menos do que um FPS 50+ convencional. Ou seja, o rótulo não faz o índice. Um selo como o COSMOS/Ecocert (ou o Cosmébio, em França) incide sobre a composição — percentagem mínima de ingredientes naturais e de ingredientes vegetais biológicos — e não sobre a eficácia solar nem sobre o destino dos filtros na água. Neste último ponto, os dados atuais sugerem um assunto real, mas complexo: os efeitos documentados dizem sobretudo respeito a concentrações locais elevadas, e a investigação continua.

O que é verificável, isso sim: uma embalagem recarregável, um frasco de vidro ou uma caixa de cartão, fabrico europeu, filtros minerais (óxido de zinco, dióxido de titânio) quando a tua pele os tolera. Estes critérios reduzem embalagem e transporte; não dispensam renovar a aplicação. Em matéria de eficácia, mais vale uma bisnaga convencional bem aplicada do que um formato bonito mal espalhado.

Frasco de vidro recarregável, recarga de cartão e pasta mineral branca sobre linho
O que se recarrega dura mais do que o que se deita fora

Quanto custa

Conta com cerca de 12 € a 30 € por um fluido facial de 50 ml em FPS 50, e 15 € a 30 € por um leite corporal ou infantil de 200 ml, em farmácia ou parafarmácia. Nos supermercados, as bisnagas de 200 ml ficam mais entre 8 € e 18 €. Nas marcas bio, em lojas de produtos naturais ou em compra online, prevê 15 € a 30 € pelo formato de 100 a 200 ml, muitas vezes mais caro ao mililitro; uma recarga costuma custar menos do que o frasco completo. O preço varia conforme o formato, o índice, a resistência à água, o tipo de filtro, a possibilidade de recarga e a marca.

Uma dica: um formato grande para o corpo e um pequeno para a cara — mais fácil de meter na mala —, e uma vista de olhos na validade e no período após abertura, muitas vezes 12 meses. Uma bisnaga esquecida no fundo do saco desde o verão passado já fez, quase de certeza, o seu tempo.

Fontes