Gostamos do outono por isto: as camisolas voltam a sair do armário, as matérias tornam-se mais envolventes e a lingerie regressa àquele pequeno prazer que se esconde debaixo da lã. Mas entre o conforto que exigimos durante a semana e a peça bonita que gostaríamos de usar à noite há um fosso — e o orçamento não ajuda. Então, o que escolher, na vida real?
Este artigo é uma retrospetiva das tendências de lingerie que marcaram o outono de 2009. Foi integralmente reescrito. As peças e tendências referidas são documentadas, não testadas: olhámos para elas com atenção, mas nunca as vestimos. Contamos-te as grandes tendências daquela estação, o que se usava mesmo e como orientar-te sem deixar um salário pelo caminho.
O romântico bordado, um valor seguro
O bordado floral sobre tule não perdeu força. Naquela estação, surgia sobre fundos pretos ou nude, por vezes vazados, por vezes mais opacos, com flores de tons vivos a aparecer onde menos se esperava. O resultado? Um romantismo bucólico, com um toque atrevido, que evocava um jardim inglês — um verdadeiro prazer para os olhos!

Guardamos sobretudo as peças que levam o jogo até ao fim: umas calças de pijama em seda, uma peça cruzada de gola alta, uma camisa de dormir longa com alças finas. O caimento da seda e o cuidado no detalhe fazem toda a diferença na silhueta.
O padrão animal, em pequenas doses
O padrão animal entra debaixo da roupa: leopardo, python, em tule ou microfibra. A aposta, outrora ousada, tornou-se um clássico da categoria e envelhece bem desde que seja dosado. Um body com zebra sob uma camisa branca, uma cueca shorty de leopardo sob uma camisola de caxemira, e fica por aí. Na verdade, é a textura que melhor combina com as camadas do outono!

O azul em todas as suas vertentes
Do azul indigo ao azul dos mares do Sul, a paleta desdobra-se em cetim, tule recortado e renda safira. O que fica? Conjuntos de linhas depuradas e cueca de cintura alta, cetim estampado azul-malva e peças em renda elástica transparente que suavizam um corte simples.

E para quem prefere discrição: bandeau e cueca pretos com um fino remate vazado, ou um triângulo com laços em tons de ocre, taupe e vermelho sobre fundo cinzento. Boa notícia: estes básicos encontram-se em todas as gamas — o suficiente para construir um guarda-roupa cápsula sem gastares uma fortuna.
Renda, retro e um ar falsamente comportado
A renda recortada e as linhas arredondadas continuam a fazer o seu trabalho; as copas transparentes ganham bordados florais em violeta-pó. Gostamos dos contrastes: bolinhas em violeta elétrico sobre tule, renda púrpura vazada, branco virginal ou preto meio renda, meio cetim. O verde-menta acetinado combina com renda preta, enquanto o preto regressa com folhos e bordados.
E naquela estação, uma tendência de fundo: a lingerie que se mostra. Um bustier de renda usado sob um blazer, um top de cetim que espreita por baixo de uma camisola, um body transparente em camadas. A fronteira entre lingerie e roupa exterior esbate-se, e isso é bastante animador! Arrisca o total look e usa acessórios com parcimónia: uma peça statement chega para dar atitude.
O que se manteve?
Muito, na verdade. A cueca de cintura alta, durante muito tempo marcador retro, tornou-se um básico do vestuário. O triângulo com almofadas amovíveis instalou-se para todo o ano. O bordado floral e o tule nunca saíram das coleções. Boa notícia: estes códigos continuam por aí!
O que mudou realmente, porém, foi a oferta: os tamanhos alargaram-se, as copas sem forro e as malhas sem costuras impuseram-se, e uma parte do mercado passou para as marcas vendidas diretamente ao consumidor. Por outras palavras, os códigos sobreviveram; as marcas moveram-se.
O truque para ler uma tendência: separa o corte da decoração. Um bustier, um body, um triângulo, uma cueca de cintura alta: são cortes que regressam por vagas e que se escolhem segundo a tua morfologia. Um padrão animal ou umas bolinhas violeta são decoração: duram duas estações, não dez. Compra o corte, diverte-te na decoração, e não te enganas.
Orçamento
Os intervalos variam muito consoante o canal de venda. Em supermercados ou em cadeias acessíveis, conta com cerca de 10 a 30 € pela cueca e 25 a 50 € pelo sutiã — um conjunto fica por cerca de 40 a 80 €. Em marcas mais trabalhadas, aponta para 30 a 70 € pela cueca, 50 a 100 € pelo sutiã e 90 a 180 € pelo conjunto. Já as peças de gama alta em renda francesa ou seda ultrapassam frequentemente 150 € e, por vezes, chegam aos 250 € pelo conjunto completo.
Três fatores fazem subir a conta: a matéria-prima (renda tecida, seda, malha técnica), o tamanho (as copas grandes e os tamanhos maiores custam muitas vezes mais) e o canal de venda (loja própria, multimarca, venda online). Onde encontrar tudo isto? Em supermercados e hipermercados para os básicos a preço baixo; em cadeias especializadas para o corte e a matéria; e online, sobretudo nas marcas vendidas diretamente ao consumidor, que muitas vezes baixam os preços sem intermediários — é também aí que se encontra a maior variedade de tamanhos e cortes.
Quanto às matérias-primas, se queres escolher opções com mais respeito ambiental, procura fibras naturais (algodão biológico, seda) e fibras celulósicas regeneradas como o Tencel (liocel). Tem atenção ao alcance dos rótulos: GOTS para o biológico, OEKO-TEX Standard 100 para o controlo de substâncias nocivas. Atenção, porém: muita lingerie continua a ser feita de poliamida e elastano, que mantêm melhor a forma e a renda; o compromisso é real.
Fontes
- GOTS (Global Organic Textile Standard) — global-standard.org
- OEKO-TEX Standard 100 — oeko-tex.com





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