Moda e acessórios no 3.º Salão do Vintage

Já te aconteceu passares uma hora a remexer numa loja de segunda mão sem encontrares nada e, de repente, ficares de olhos presos numa jaqueta pendurada de través no fundo da arara? O vintage é muitas vezes isto: paciência, um pouco de sorte e um olho que se vai treinando à força de olhar. Em abril de 2009, o 3.º Salão do Vintage montou as suas araras na Cour du Marais, no 4.º arrondissement de Paris, com cerca de trinta expositores vindos de todo o mundo e um único tema: a moda e os seus acessórios. Uma edição de que ainda se fala, tal era a fartura de peças para caçar.

Vintage, uma definição que resiste

Há três referências em que quase todos concordam: uma peça que já viveu, uma certa raridade — se possível assinada — e um estado impecável. O Dictionnaire international de la mode acrescenta a dimensão que realmente importa: o vintage é também um estilo, um jogo de aparências que junta antigo e novo sem complexos.

Jovem de blazer de lã oversize e gravata vintage de seda estampada sobre uma camisa branca

A palavra vem da enologia. Uma safra, portanto — só que aqui veste-se. Talvez seja essa a razão do seu sucesso: uma peça vintage é única, tem uma história e não vai aparecer nas costas de mais ninguém na mesma festa. Motivo a mais para a escolheres com cuidado em vez de a comprares por impulso.

Os anos 80, essa silhueta que regressa

Esta edição parisiense apostava nos anos 80, na altura levados pela new wave: rock e chique, preto dominante, couro tornado básico, ganga gasta, rasgada, por vezes com franjas. No extremo oposto, a pop e o disco traziam as cores vivas, as bolinhas, as riscas, o strass e as lantejoulas. Tudo era permitido, desde que assumido.

Encontras hoje estas peças nos guarda-roupas mais trabalhados: ombros estruturados, cintura marcada, couro patinado, padrão geométrico. O corte faz o trabalho, a textura faz o resto. Um blazer oversize sobre ganga direita, um cinto largo a servir de acessório e as camadas sobrepostas tomam o lugar de um total look demasiado certinho.

Silhueta anos 80: blazer preto de ombros estruturados, cinto largo de couro e ganga direita

Neste género de salão cruzávamo-nos com peças assinadas por Jean Paul Gaultier, Thierry Mugler, Azzedine Alaïa ou Claude Montana — marcas que ainda hoje fazem correr as caçadoras de peças. Atenção, no entanto: um ombro demasiado estruturado não favorece todas as silhuetas. Se já tens os ombros largos, procura o mesmo efeito num blazer mais fluido, usado aberto sobre um top simples: o espírito eighties mantém-se, sem o efeito armadura.

Caçar peças em 2026, com olho treinado

Na verdade, o vintage encontra-se em todo o lado: lojas de segunda mão de bairro, lojas de consignação, salões, mercados, lojas de reutilização e plataformas online. Antes de pagares, olha para o caimento da peça, não apenas para o tamanho que está na etiqueta. Uma peça que cai bem pode ser usada tal como está; uma peça que puxa nos ombros nem sempre se arranja.

Verifica as costuras, as bainhas, o forro, os fechos, o desgaste debaixo dos braços, o cheiro. Uma matéria natural — lã, linho, seda, couro — ajusta-se e repara-se. Uma fibra sintética cansada, muito menos. É aliás o primeiro critério a ter em conta se procuras uma peça para usar durante muito tempo.

Nos cuidados, lava a baixa temperatura com um detergente que tenha o Rótulo Ecológico Europeu ou a certificação Ecocert: estes rótulos enquadram a biodegradabilidade e limitam as substâncias problemáticas, o que não é indiferente quando se quer fazer durar um tecido antigo. E manda ajustar em vez de comprar de novo: a peça mais sóbria continua a ser aquela que já existe.

Três perguntas antes de tirares o cartão: a peça serve-te sem alterações? A reparação é possível num alfaiate ou num sapateiro? Vais usá-la pelo menos trinta vezes? Três «sim» e compras. Um «não» e voltas a pendurá-la.

Mulher jovem agachada em frente a uma mesa de acessórios vintage, a examinar um cinto de couro

Orçamento

Boa notícia: o vintage continua a ser, muitas vezes, a fatia mais barata do orçamento de moda — desde que se procure.

Em lojas de segunda mão, feiras ou lojas de reutilização, conta com alguns euros até 30 €. Numa loja vintage selecionada ou de consignação, a conta sobe depressa: cerca de 30 a 150 € por uma peça corrente. E se o objetivo for uma peça assinada de criador em estado perfeito, prepara-te para 200 € a mais de 1 000 € — as plataformas online disparam nas assinaturas mais procuradas.

A entrada num salão parisiense ronda os 10 €, muitas vezes com desconto para estudantes. O que faz variar a conta? A assinatura, o estado, a raridade do tamanho e o canal de venda. Para uma peça nova, dá preferência a uma fibra natural e a um rótulo verificável — GOTS para o algodão biológico, OEKO-TEX Standard 100 para limitar substâncias indesejáveis: sem certificação, «natural» não quer dizer nada.

Resta uma questão, quase mais importante do que o preço: esta jaqueta vai continuar a chamar-te a atenção na primavera que vem como hoje? Se sim, valeu a pena o desvio. Se não, deixa-a na arara — outra caçadora saberá gostar dela por ti.

Fontes

  • Dictionnaire international de la mode.
  • Palais Galliera, musée de la Mode de la Ville de Paris — palaisgalliera.paris.fr
  • ADEME, Agence de la transition écologique — ademe.fr
  • Refashion, organismo de gestão da fileira francesa da moda e têxtil — refashion.fr
  • Salon du Vintage, organizador da edição parisiense citada — salonduvintage.com