O outono instala-se e, com ele, regressa aquela pergunta matinal que não perdoa: que par calçamos para aguentar o dia inteiro sem sacrificar o estilo? A AOHNA, marca de calçado de Lyon que desenha para mulheres, apresenta a nova coleção — e a ocasião é boa para passar em revista as direções que marcam a estação. Olhamos, escolhemos e vemos o que pode entrar num armário já bem composto.

Um ponto de honestidade antes de avançar: ainda não calcei nenhum destes pares e não recebi nada da marca. Tudo o que se segue vem da apresentação da coleção, relida à luz do que se usa agora. É documentação, não um teste em condições reais — mais vale dizê-lo desde já.

AOHNA, uma casa de Lyon pensada para mulheres

A marca apresenta-se como de Lyon, com uma abordagem sem grandes complicações: desenhar sapatos para mulheres, a pensar na caminhada real, nos dias que se prolongam e nas idas e voltas entre o escritório, os transportes e um jantar improvisado. Não há nada de espetacular nisso, e talvez seja precisamente isso que tranquiliza: antes um guarda-roupa de calçado coerente, em que algumas famílias de modelos regressam estação após estação.

O site funciona como montra e, ao mesmo tempo, como ferramenta de apoio à escolha. Podes percorrer a coleção, mas também procurar ideias de combinação a partir das roupas que já usas. A ideia não é impor um look completo, mas responder a uma pergunta muito concreta: com esta saia, calço o quê? É o tipo de reflexo que se agradece, sobretudo nas manhãs em que abrimos o guarda-roupa sem qualquer inspiração.

As grandes direções da estação

Sem surpresa, a coleção inscreve-se nos movimentos que atravessam o pronto-a-vestir e o calçado, sem os seguir à letra. Nas formas, o mocassim confirma o regresso, em versões de sola fina para os dias de escritório ou mais grossa para um efeito assumidamente robusto. As botas flexíveis, com cano ligeiramente enrugado, continuam a ser a aposta segura dos meses frios: ficam bem por baixo de umas calças largas ou com um vestido fluido, e este básico não muda de estação para estação — e não nos queixamos! As bailarinas e os sapatos de tira fina, durante muito tempo arrumados no fundo do armário, recuperam o seu lugar, usados com meias discretas ou com meias-calças opacas.

Jovem mulher mestiça a caminhar num cais empedrado em Lyon, com calças largas e botins flexíveis em couro chocolate
Formas pensadas para a marcha real, do elétrico ao jantar improvisado

Do lado das cores, dominam os tons quentes: bordeaux, chocolate, camelo e taupe. São nuances fáceis de combinar com um guarda-roupa sobretudo preto, cinzento ou bege, que evitam o problema daquele par demasiado marcante que nunca mais se usa. Quanto às matérias, o couro liso convive com a pele veludada e os couros granados, mais tolerantes ao atrito do dia a dia.

Três pares de sapatos alinhados num banco de madeira: mocassim bordeaux, bota chocolate e bailarina taupe
Mocassim, bota flexível, bailarina de tira: as famílias da estação

Uma palavra sobre a duração, porque é aí que se joga a verdadeira diferença: é a matéria e os cuidados que decidem a vida de um par, não o preço na etiqueta. Um couro bem hidratado, entregue de vez em quando a um sapateiro para uma sola ou um salto gasto, pode durar várias estações — um hábito que custa menos do que comprar novo todos os outonos e mantém no teu pé um par já moldado.

Jovem mulher latina sentada num corredor luminoso, a calçar um botim em couro com uma saia midi taupe
Testar a linha da perna antes de sair: a bota termina a meio da perna

Como combinar os modelos com as tuas roupas

Há regras que funcionam com qualquer par escolhido, e a primeira tem que ver com as proporções. Umas calças muito largas pedem um sapato relativamente fino, sob pena de achatar a silhueta; por outro lado, umas calças cigarette ou uns jeans de corte direito aguentam uma sola mais generosa.

A linha da perna, depois, merece que se lhe preste atenção. Uma saia midi usada com uma bota que termina a meio da perna cria uma rutura clara: é uma opção, não um erro — desde que a assumas. Para uma linha contínua, é preferível um cano que suba até ao joelho ou um tornozelo livre. E se o sapato for gráfico ou colorido, mantém o resto do visual discreto; com padrões, um par liso é o melhor aliado. Na verdade, muitas vezes é o par mais discreto que acaba nos teus pés todos os dias, não é?

Falta a questão do conforto real, que para mim é a mais importante. Um par que só vai sair três vezes na estação é uma má compra, por muito charme que tenha na montra.

Três gestos para fazer durar um par

  1. Impermeabiliza antes da primeira saída, não depois da primeira nódoa.
  2. Deixa secar naturalmente, longe de uma fonte de calor direta: um aquecedor endurece o couro e faz com que ele estale.
  3. Alterna os pares e coloca formas para calçado no interior entre utilizações, para manter a forma e limitar a humidade.

Antes de comprares, experimenta o par ao fim do dia: o pé está ligeiramente mais largo do que ao acordar. Se o sapato apertar nesse momento, corre o risco de continuar desconfortável. Mais vale meio número acima do que um par demasiado justo que nunca vais usar.

Orçamento

Em termos de orçamento, conta com cerca de 80 a 150 € por um par em couro corrente e mais uns 180 a 300 € para couro plena flor ou fabrico europeu. Uma bota alta pede logicamente mais do que uma bailarina, e a pele veludada costuma ficar entre os dois.

Várias coisas fazem variar o preço: a matéria, o tipo de sola, a cidade onde compras (em geral, os preços são mais suaves fora dos grandes centros como Lisboa e Porto), a gama e o momento da estação. Encontras modelos acessíveis em grandes superfícies e em cadeias de sapatos, uma escolha mais restrita em lojas multimarca e a coleção completa no site da marca.

Não ignores o orçamento de manutenção: um spray impermeabilizante, formas para calçado e um pano macio custam algumas dezenas de euros na compra, e é isso que decide se o teu par dura uma estação ou três! Junta uma ida ao sapateiro de vez em quando e recuperas largamente o investimento inicial.

Onde descobrir a coleção

A coleção pode ser vista no site da marca, onde estão os modelos disponíveis, os tamanhos e as condições de encomenda. Antes de finalizares, dá uma vista de olhos ao guia de tamanhos e à política de devoluções: num par de sapatos, é isso que decide se o teste acaba em guarda-roupa ou em devolução.

Agora só falta encontrares o par que te vai acompanhar até à primavera — e tratares dele como deve ser.