Você já viveu este momento: veste um vestido fluido, olha-se ao espelho e é a lingerie que decide tudo. Uma alça que se enrola, um copo que abraça mal, e a mais bonita das silhuetas perde o cair. Pelo contrário, um conjunto ajustado pode dar uma sensação de sustentação e conforto. Em 2026, o chique na lingerie já não se decreta num boudoir cor-de-rosa: usa-se, mostra-se e vive-se no dia a dia. A renda dialoga com o jersey de algodão, a corseteria esconde-se sob um blazer oversize, a transparência dosa-se como um acessório. Não é preciso conhecer todas as marcas uma a uma: os códigos mudaram claramente.

Um conjunto em renda preta usado sob um blazer bege oversize, num apartamento parisiense
O conjunto sai do boudoir: usa-se aberto sob um blazer

Renda, sim, mas reinventada

É impossível falar de lingerie preciosa sem mencionar a La Perla. A maison italiana continua a ser uma referência pelos seus tules bordados e acabamentos à mão, que agora se usam tanto sob uma camisa branca como sob um vestido de noite.

Foto de produto inspirada em Malizia by La Perla – Body em renda e tule bordado Preto (Tamanho 2)
Foto de produto inspirada em Malizia by La Perla – Body em renda e tule bordado Preto (Tamanho 2)
Um sutiã plumetis preto usado sob uma camisa branca aberta num provador
O plumetis gráfico mostra-se sob uma camisa deixada aberta
Um conjunto em renda floral rosa-pó visto de três quartos de costas, com um coque torcido
As costas em renda e o fecho de colchetes fazem toda a peça

A verdadeira diferença em relação à época dos conjuntos reservados às grandes ocasiões? Assumimos a sobreposição. Um body em tule por baixo de um pull fino, um top de renda que sobressai de um decote: o layering faz o trabalho, e a peça de baixo torna-se quase uma peça statement.

Uma mulher em renda preta de cintura alta veste um vestido-combinação creme
A peça de baixo torna-se uma peça por inteiro: vestimo-nos por camadas

Na Eres, a filosofia sempre foi a inversa: poucos ornamentos, muito corte. As suas malhas e triângulos sem armação abraçam o corpo como uma segunda pele, com uma textura mate que não brilha sob uma peça clara. A maison contribuiu largamente para instalar a ideia de que uma peça de baixo elegante não precisa de renda para ser desejável.

Um conjunto em jersey mate preto de acabamento invisível, com efeito segunda pele
Poucos ornamentos, muito corte: o jersey mate da Eres

O conforto como argumento de estilo

A Princesse Tam-Tam construiu parte da sua identidade em cores suaves, bordados de inspiração croché e fitas de cetim como alças. O vocabulário, esse, evoluiu: onde antes se falava de coqueteria, fala-se hoje de sustentação flexível, matérias respiráveis e tamanhos que já não se ficam por uma faixa estreita.

Foto de produto inspirada em Princesse tam.tam — lingerie e corseteria para mulher
Foto de produto inspirada em Princesse tam.tam — lingerie e corseteria para mulher
Um top flexível em jersey de algodão rosa-pó ajustado num provador
A sustentação flexível avalia-se sentada, não em frente ao espelho

Três evoluções estruturam o mercado, e mudam mesmo as regras no dia a dia:

Um conjunto em renda azul-noite de cintura alta usado numa cozinha luminosa
A lingerie de dia: cinturas altas e cortes que acompanham o movimento
  • O sem armação impõe-se em todo o lado, do triângulo simples ao modelo mais envolvente.
  • As cinturas altas, mais confortáveis e mais favorecedoras sob peças fluidas, ganham terreno face aos cortes de cintura baixa.
  • A lingerie de dia ganha ascendente sobre a das grandes ocasiões: compra-se um conjunto para a semana, não apenas para uma noite.

Cores, padrões e espírito romântico

Do lado das casas de corseteria, a Aubade e a Lejaby continuam a trabalhar a renda francesa, o plumetis e o jacquard. As suas gamas oscilam entre preto profundo, rosa-pó, verde-salva e azul-noite.

A Huit cultiva um espírito mais gráfico: voile plumetis e rendas misturam-se em efeitos de transparência controlados.

O romântico está de volta, mas sem açúcar adicionado. Bordado inglês, fitas finas, pequenos laços e jacquard floral usam-se em tons suaves, longe da associação renda-cabaré que durante muito tempo colou à pele. E a tendência «quiet luxury» chegou às gavetas: peças simples, bem cortadas, que envelhecem melhor do que um padrão sazonal — o espírito de um guarda-roupa cápsula aplicado à lingerie.

Um conjunto lilás com bordado de inspiração croché e alças de fita de cetim, sobre uma cama
Bordado croché, fitas de cetim: o romântico sem açúcar adicionado

Uma lingerie mais inclusiva e mais responsável

A mudança mais visível continua a ser o tamanho. Várias marcas francesas e internacionais propõem agora costas e copas em tamanhos alargados, e as campanhas mostram mais morfologias reais.

Um conjunto em renda verde-salva bem ajustado usado numa silhueta de curvas generosas
Tamanhos alargados e uma sustentação certa, pensados para diferentes morfologias

Do lado das matérias, a renda reciclada, o lyocell e o algodão biológico avançam. Atenção, no entanto, ao greenwashing: um rótulo reconhecido como GOTS ou Oeko-Tex continua a ser um indício bem mais sério do que uma menção «eco» impressa numa etiqueta. O primeiro enquadra a fibra biológica e a sua transformação, o segundo verifica sobretudo a ausência de substâncias indesejáveis — duas garantias diferentes, que não devem confundir-se. E olhe para a composição completa: uma renda sintética continua a ser uma matéria sintética (poliéster, poliamida…), seja qual for a textura, mesmo tingida com pigmentos naturais.

Três gestos antes de comprar

  1. Leia a composição inteira, não apenas a matéria destacada na etiqueta.
  2. Teste o conforto em posição sentada: uma alça que cai de pé cairá ainda mais em movimento.
  3. Privilegie dois ou três conjuntos bem escolhidos em vez de acumular peças que nunca usa.
Um conjunto em renda reciclada bege-areia usado junto a uma estante de têxteis
Renda reciclada e algodão biológico: a matéria escolhe-se antes do corte

Cuidar da lingerie para que dure

O chique também depende do cuidado: lavagem à mão em água fria, ou dentro de um saco de rede num programa delicado; secagem na horizontal, longe de uma fonte de calor; arrumação na horizontal para as copas. Uma lavagem na máquina a 40 °C pode danificar o elastano, ondular a renda e distender as alças. O gesto que faz toda a diferença não é aquele que se pensa.

Uma mulher em renda marfim pousa uma peça fina na horizontal sobre um pano claro
Lavagem a frio, secagem na horizontal: os gestos que fazem durar a renda

Orçamento

A lingerie chique tem um preço, e varia sobretudo consoante a gama e o local de compra. Para uma peça simples — sutiã triângulo, cuecas de algodão — conte com cerca de 10 a 30 € em grandes superfícies ou online. Para um conjunto em renda de uma marca corrente, conte antes com 50 a 100 €. A corseteria de gama alta sobe mais: 100 a 250 € o conjunto, por vezes mais para acabamentos à mão.

O que faz subir o valor: a fineza da renda, a cidade e o canal de venda (uma loja no centro costuma ter preços mais altos do que uma loja online), a amplitude dos tamanhos disponíveis e a manutenção que a matéria exige. Onde comprar, então? Loja especializada, perfumaria, grande superfície ou online — e pense na segunda mão, onde algumas peças usadas uma ou duas vezes saem por uma fração do preço. Na verdade, raramente é a mais cara que assenta melhor.

Fica o essencial: o desejo de nos agradarmos a nós próprias. Uma peça de baixo que assenta bem pode dar uma sensação de sustentação e conforto — e isso sente-se logo! A lingerie chique não é, portanto, uma questão de orçamento, mas de ajuste, e é provavelmente a única regra que não envelheceu.