Já reparaste, com certeza: a moda masculina já não se joga apenas nas passarelas. Lê-se na rua, num tapete vermelho, à saída de um concerto, na fila de um café. E há silhuetas com aquele algo mais que faz toda a diferença!

Eis uma seleção de visuais observados nos últimos meses. São observações, não conjuntos testados peça por peça — fica já dito desde o início. Mas há lições simples, que podes aplicar já amanhã de manhã.

Alfaiataria sobre denim

A receita mais certeira? Um blazer de fato ligeiramente oversize, uma T-shirt branca lisa, uns jeans em denim cru, uns ténis rasos. Parece simples e, no entanto, exige contenção. Na verdade, a peça mais formal deve continuar a ser a mais discreta — caso contrário, o contraste cai no disfarce.

Homem sentado num degrau, blazer de lã cinzento oversize sobre T-shirt branca, jeans em denim cru e ténis rasos gastos
Uma única peça formal, usada sem cerimónia sobre jeans em denim cru

Outras silhuetas tocam a mesma música, com preferência por tecidos crus e cortes amplos. Nelas, a elegância está no caimento das calças, nunca na acumulação de logótipos. É toda a diferença entre um estilo e uma montra.

Detalhe do punho de um blazer de lã oversize ajustado sobre jeans em denim cru índigo
O caimento do blazer faz tudo, sem um único logótipo à vista

Estás a começar? Escolhe uma única peça forte e mantém o resto em tons neutros. Uns bons jeans e uma T-shirt bem cortada costumam bastar!

Jovem asiático sentado num muro baixo, blazer oversize bege sobre T-shirt branca, jeans em denim cru escuro e ténis rasos
A peça formal continua a ser a mais discreta: está aí toda a receita

Streetwear a subir de gama

Parte do streetwear de luxo parece evoluir para mais artesanato e menos demonstração. Há quem misture street e peças de alta-costura com uma naturalidade rara. Outros assumem um visual muito pessoal sem nunca cair no traje de cerimónia.

O que faz a diferença? O material. Uma sobrecamisa de lã tricotada oversize, umas calças largas plissadas, uma sweatshirt cinzenta mesclada: nada de espetacular no papel e, ainda assim, é a textura que faz todo o trabalho. Uma peça com o caimento certo não precisa de slogan nenhum para chamar a atenção.

Homem de costas a caminhar, sobrecamisa de lã tricotada oversize sobre T-shirt comprida branca, calças largas plissadas e saco de lona
O streetwear artesanal joga-se no material, não na demonstração

O que têm em comum estas silhuetas? Uma hierarquia clara: uma peça de destaque, o resto em papel secundário. É o gesto que faz a diferença — e não custa um cêntimo!

Jovem mestiço com sobretudo de lã oversize bordeaux, sweatshirt cinzenta e calças pretas, num pátio de arte contemporânea
Uma única peça forte, todo o resto em apoio: é a hierarquia que faz o estilo

Porque é que tantos homens ainda hesitam em ousar uma única peça forte? Muitas vezes, por medo do olhar dos outros. E é precisamente isso que cria a diferença.

Homem sentado de perfil, sweatshirt cinzenta mesclada oversize e calças largas plissadas, textura do material visível
Uma malha mesclada, um plissado largo: nada de espetacular, tudo no caimento
Jovem negro a caminhar ao crepúsculo, blusão de couro curto sobre camisa comprida em denim, calças largas e botas gastas
Assumir uma silhueta muito pessoal sem cair no traje de cerimónia

Joias, adereços e acabamentos

No registo rock, o bandana, os óculos tintados, a sobreposição de anéis e colares, as botas gastas: no papel, o conjunto poderia cair no exagero. E, no entanto, funciona — porque tudo é assumido com coerência!

Os anéis finos e os colares sobrepostos parecem, aliás, ganhar visibilidade entre os homens. Um truque simples: limita-te a duas ou três peças por zona do corpo, deixa-as conviver e mantém o resto do look sóbrio. O layering de acessórios é como o layering de roupa — constrói-se, não se acumula ao acaso.

O reflexo da Léna. Antes de comprares uma peça de destaque, confirma se combina com pelo menos três looks que já tens no armário. Caso contrário, fica esquecida no armário. Mais vale uma peça usada do que uma compra de que te arrependas.

Homem latino com bandana vermelho-escuro, óculos tintados âmbar e anéis finos sobrepostos, a ajustar a gola
Bandana, óculos tintados, anéis finos: é a coerência que faz passar o exagero
Jovem num quarto de vestir luminoso a ajustar um blazer de lã camel oversize, T-shirt branca e jeans escuros
O detalhe bem colocado basta para assinar todo o visual
Visual minimalista com blazer de lã, T-shirt branca, jeans em denim cru e botas de couro
Menos peças, melhor escolhidas e usadas mais vezes

Orçamento

Quanto ao orçamento, não vale a pena tentar o look completo de uma só vez. Conta com cerca de 15 a 40 € por uma T-shirt lisa bem cortada, 60 a 150 € por uns jeans em denim cru decentes e 150 a 400 € por um blazer de fato de pronto-a-vestir clássico. Para um par de ténis rasos, prevê 70 a 150 €. Nas joias — anéis finos, colares —, a fasquia situa-se entre 20 e 80 € por peça e sobe depressa se subires de gama; para botas de couro, conta com 100 a 250 €.

O que faz variar a conta? A cidade, antes de mais: as lojas do centro costumam ter preços mais altos do que as da periferia ou do interior. Depois, o material — um algodão orgânico certificado, uma lã que mantém a forma, um couro plena flor custam mais caro do que uma mistura sintética, mas envelhecem de outra maneira. A marca também conta, naturalmente. E sobretudo o cuidado: uma peça neutra com boa estrutura, usada cem vezes, sai mais barata do que um logótipo usado dez vezes e depois esquecido no fundo do armário.

Para te equipares, podes procurar em lojas de segunda mão ou de roupa usada — a melhor forma de conseguires um bom material sem deixares lá um mês de salário —, ver nas grandes superfícies de moda, em lojas multimarca, em perfumarias para a bijuteria, ou encomendar online. Neste último caso, verifica os custos de devolução antes de finalizares a compra.

O que fica

Um visual com estilo não depende do orçamento. Depende de uma intenção: um contraste controlado, um corte certo, um acessório bem colocado. Os homens desta seleção não têm todos o mesmo estilo, nem de perto. Mas partilham a capacidade de assumir as suas escolhas sem exagerar. É provavelmente a única regra que vale, e também funciona para um guarda-roupa cápsula: menos peças, melhor escolhidas, usadas mais vezes.

Então, por onde começar? Um blazer, um colar, um par de ténis? Pouco importa, desde que sejas fiel a uma direção clara. O veredicto da Léna: sim, desde que mantenhas uma única peça forte e deixes o resto em segundo plano. Gostamos desta liberdade — e tu?