Já cruzaste com este logótipo, certamente. Um cinto dourado a apertar umas calças de ganga em cru ao virar de uma esquina, um frasco quadrado esquecido numa prateleira da casa de banho, um vestido preto com abertura a desfilar por um tapete vermelho… Estas imagens contam a história de um atelier, de um casal e de um guarda-roupa que se tornou assinatura. E vale a pena conhecê-la, porque muda a forma como olhas para uma silhueta.
Milão, dois temperamentos, um vestuário
Tudo começa em Milão, em 1985. Domenico Dolce e Stefano Gabbana lançam a sua casa: um vem de uma família de alfaiates sicilianos, o outro trabalha em design publicitário. Já se conheciam — tinham-se encontrado alguns anos antes — e formavam então um casal, na vida e no atelier. Esta dupla faceta explica muito do que viria a seguir.

Domenico Dolce ocupa-se do corte, do caimento, dessa precisão herdada da tradição da alfaiataria. Stefano Gabbana trata da imagem, da encenação, da irreverência. A mão e o olho, em sintonia: eis a fórmula. O credo dos primeiros tempos? Vestir as «mulheres reais». Silhuetas que abraçam o corpo em vez de o comprimir, uma construção que segue a morfologia em vez de a corrigir. Preto profundo, renda, espartilho, estampados animal, bordado pesado: o vocabulário ficou definido desde as primeiras coleções e praticamente não mudou. Coisa rara num setor que renova os seus códigos a cada três anos!
A digressão que faz a casa entrar na pop culture
A consagração passa pelo palco. Em 1993, Madonna pede à casa um milhar e meio de fatos — um guarda-roupa inteiro pensado para o movimento, para as mudanças rápidas e para a luz dos projetores. A roupa torna-se espetáculo, e a marca instala-se de vez no imaginário coletivo.

Depois, tapetes vermelhos e videoclipes fazem o resto. Cantoras, atrizes, figuras da televisão vestem a casa, e o guarda-roupa impõe-se na cultura popular sem que seja preciso apresentá-lo. É o que se chama um estilo que fala por si.
Do lado da oferta, a diversificação é rápida. Primeira linha masculina em 1990, primeiro perfume feminino em 1992, e depois óculos, roupa interior, malas. Em 1994 chega a segunda linha D&G, mais acessível; em 2001, a moda infantil completa o conjunto. Essa linha D&G alargou a clientela antes de ser fundida na marca principal, em 2012.
Um guarda-roupa sempre reconhecível
O que sustenta uma silhueta da casa é menos uma peça isolada do que um estilo de conjunto. Um caimento limpo, matérias trabalhadas — bordado, renda, caxemira, jacquard —, um jogo de estampados e texturas por vezes muito barroco. O corte mantém-se amiúde justo ao corpo, estruturado por um espartilho ou uma barbatana, por vezes suavizado por uma malha que acompanha o movimento. Nada de mole, nada de flutuante: aguenta.

Para usar, mais vale assumi-lo como peça statement do que em total look, sob pena de parecer que acabaste de sair de um desfile. Então, como integrá-lo na vida real? Um layering bem negociado — uma camisa de popeline por baixo de um vestido de renda, por exemplo —, um acessório dourado, uma mala à escala certa, e está feito. A ideia é deixar a peça forte falar e manter o resto em básicos: umas calças de ganga em cru, um trench, uns sapatos derby. Um guarda-roupa cápsula com um só elemento assertivo funciona melhor do que uma acumulação de sinais.
Hoje, a casa já não se limita ao pronto-a-vestir: também desenvolve alta-costura (Alta Moda), joalharia e beleza, com lojas espalhadas por todo o mundo. Domenico Dolce e Stefano Gabbana, separados na vida privada desde os anos 2000, continuam associados à direção da marca.
Para te ofereceres uma peça sem rebentar o orçamento, o mercado em segunda mão continua a ser o caminho mais sensato. Digamos sem rodeios: o luxo de vestuário raramente é concebido em moldes ecológicos, e não existe uma alternativa «natural» credível neste terreno. Uma peça é duradoura porque a usas durante muito tempo, não porque seria reciclável. Um cinto, uma mala ou uns óculos em segunda mão, bem autenticados, atravessam os anos: é o verdadeiro gesto responsável, à falta de melhor. Verifica as costuras, os acabamentos interiores e o fecho — é aí que se lê o desgaste e, muitas vezes, a contrafação.
Orçamento
Os preços sobem depressa, por isso vamos enquadrá-los.
- Beleza (perfume, batom): conta com cerca de 30 a 150 €, consoante o formato e a concentração.
- Óculos, cintos, pequena marroquinaria: conta com cerca de 200 a 450 €.
- Pronto-a-vestir (vestido, blazer): a partir de 500 €, muitas vezes bem acima dos 1 500 € para matérias nobres e peças bordadas.
- Segunda mão: conta com cerca de 30 a 70 % menos, consoante o estado, a estação e a raridade do modelo.
O que faz variar a conta: a matéria (uma seda bordada não tem nada a ver com um algodão estampado), a complexidade do corte — algumas peças exigem um ajuste, a orçamentar à parte —, o fim de série e o ponto de venda. Em loja oficial ou no site da marca, pagas o preço completo, com a autenticidade e o serviço. Nos grandes armazéns e nas perfumarias — El Corte Inglés, Sephora, Perfumes & Companhias ou Wells —, os cantos de beleza e óculos são frequentes e fáceis de experimentar; nas farmácias e parafarmácias encontras também alguns artigos de beleza da marca. Em linha, dá prioridade a revendedores autorizados como a Notino e a plataformas de segunda mão especializadas, sem esquecer os outlets, onde as coleções de estações anteriores chegam com um desconto real.
Último ponto, do lado da beleza: os perfumes da casa são fórmulas convencionais, com álcool e moléculas sintéticas. Se procuras algo natural, não é aqui que deves olhar — e não há mal nenhum em dizê-lo. Um perfume sólido, uma água de perfume biológica ou uma recarga de vidro serão mais coerentes com uma abordagem ecológica, desde que verifiques o que o rótulo afixado garante realmente.





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