Segundo a história que a própria maison conta de si mesma, Frédéric Boucheron começou a sua carreira de joalheiro da forma mais simples possível: como aprendiz numa pequena joalharia, com apenas 14 anos. Nada, então, fazia prever o gosto seguro e o talento inato do jovem pela joalharia, a não ser... a sua paixão! Continuou o seu percurso, como empregado na Tixier-Deschamps, até abrir, por fim, a sua própria loja em 1858, na galeria do Palais-Royal.

Mas a loja do Sr. Boucheron não era comum: se, na época, a moda era de joalharia vistosa e clássica, Boucheron apostava na delicadeza e na originalidade. Rendas de ouro, cristal de rocha, marfim e joias delicadas eram a sua bandeira. Uma ousadia que se destacava e que rapidamente faria a diferença.
Paris rendeu-se a Frédéric Boucheron, cuja pequena loja parisiense passou rapidamente a receber personalidades das mais abastadas e exigentes, vindas de todo o mundo!
Com um sucesso destes, Boucheron pôde ampliar a loja, dar asas à originalidade sem reservas e deixar fluir o talento e a imaginação. Foi assim que, ano após ano, surgiram grandes clássicos da joalharia: a começar pela apresentação das joias, já não deitadas nas prateleiras, mas em posição vertical sobre pequenos expositores. A peça passou a ser observada em volume, como um objeto autónomo, e não como mercadoria exposta. Em 1879, Boucheron criou um relógio de pulso para mulher, numa época em que os relógios eram muitas vezes usados suspensos por uma corrente.

Recebeu vários prémios como recompensa, começando pela medalha de ouro da Exposição Universal de Paris de 1867 e pelo grande prémio da Exposição Universal de 1889.
A reputação estava feita, o tom estava dado: Boucheron afirmava-se como precursor no mundo da joalharia e gozava de uma reputação irrepreensível que se poderia pensar estar no auge... mas engana-se quem pensa assim!
Em 1893, instalou a maison na Place Vendôme, no antigo Hôtel de Castiglione. Abriu caminho: os outros grandes joalheiros seguiram-lhe o exemplo e o bairro tornou-se o da alta joalharia parisiense.

Quando morreu, em 1902, o filho Louis assumiu a maison, já instalada em Londres desde 1893; mais tarde, abriu um endereço em Nova Iorque, em 1912. A isso acrescentaram-se um modelo de relógio extrafino e encomendas principescas para clientelas reais e industriais do início do século XX.

Atualmente, a Boucheron é um império, um símbolo do luxo e da própria capital francesa, um grande — e até imenso — nome da joalharia francesa!
Mas as palavras não dizem tudo: passemos às joias! Os cabochões da Boucheron ocupam um lugar de destaque no mundo da joalharia, e com razão! Deliciosos, autênticos, inimitáveis, são a assinatura da grande maison. Aqui, pedra-da-lua e diamantes sobre ouro branco.
Um anel de personalidade com gravação da marca, em ouro branco incrustado de diamantes, que só pede para ser colocado no dedo: é a coleção Les symboliques da Boucheron.

Cinna, o pendente bem merecia um nome bonito! Três círculos incrustados de diamantes sobre ouro branco. Uma chuva de diamantes, um anel de grande delicadeza: há coisas para sonhar, convenhamos!
Ácida e fresca, a coleção Les orientales é um prazer para os olhos! Veja-se, por exemplo, o anel engastado com turmalina rosa e cravejado de safiras rosa.
A Boucheron veste os animais com diamantes e pedras preciosas e, para prova, a serpente cravejada de diamantes com olho de esmeralda!

Joalharia e moda estão intimamente ligadas, e a Boucheron lembra-nos isso com a coleção Couture: glamorosa e cintilante!
Quanto aos materiais, a pergunta surge muitas vezes: de onde vem o ouro? O metal reciclado tem as mesmas qualidades que o ouro extraído; o que muda é a origem. Um alerta simples: se comprar em segunda mão, verifique sempre a etiqueta ou o certificado para saber a proveniência da pedra e do metal.


O segredo? Um vocabulário de formas que não passa de moda — o bracelete rígido, a serpente, a pena — mas que se usa de acordo com a silhueta e a ocasião. Um colar muito fino desaparece debaixo de um lenço; um bracelete rígido muito fino desaparece sob uma manga comprida. O gesto decisivo: iluminar uma só zona do corpo. Se a mão leva a peça de destaque, o pescoço fica nu. É exatamente isto que distingue um visual composto de uma acumulação.

Para terminar, a história da Boucheron deve-se, antes de mais, às suas peças: um vocabulário de formas que atravessa as modas e algumas inovações que marcaram a joalharia.
O verdadeiro hábito a adotar: usar uma única peça forte de cada vez e verificar a proveniência do metal e da pedra antes de qualquer compra em segunda mão.

Orçamento
Na Boucheron, conte com cerca de 900 a 2.500 € por um anel ou pendente em ouro de 18 quilates (ou platina) com pequenos diamantes incrustados e, para uma peça de alta joalharia (pedras de cor, safiras, turmalinas), conte antes com 5.000 a 15.000 €. As variações dependem da pedra central, do peso do metal e do número de quilates dos diamantes engastados. Para saber o preço exato de uma peça, o melhor é informar-se diretamente junto da maison — o mercado de segunda mão oferece por vezes modelos mais acessíveis, mas pergunte sempre ao vendedor pelo certificado e pela origem.





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