Botins de plataforma com pelo usados num passeio, gola de pelo em volta do tornozelo
A gola de pelo aquece o tornozelo e marca a silhueta

Uma amiga escreveu-me na semana passada: tinha visto uns botins de plataforma com atacadores, mas receava parecer uma patinadora. Vamos ser sinceras: todas já pensámos nisso. Na verdade, tudo depende do modelo, da altura e do que usas com eles. Eis o que convém verificar antes de passares o cartão.

Botins de plataforma em pele preta usados num café, pernas cruzadas numa cadeira
Pele preta e sola dentada: a versão mais urbana da plataforma
Botins de plataforma com gola de pelo, pernas esticadas num banco vistos de cima
Camurça, pelo e atacador grosso: três materiais que fazem a diferença

Porque é que os botins de plataforma com atacadores voltam todos os invernos

O princípio continua simples: uma sola de plataforma dá altura sem a instabilidade de um salto agulha, porque o peso do corpo se distribui por toda a superfície do pé. Os atacadores servem para ajustar a bota ao milímetro — prático quando se tem o pé largo ou o gémeo mais forte. Esta combinação regressa, aliás, todas as temporadas há alguns anos, em pele lisa, camurça ou nubuck, com atacadores grossos ou um atacador fino passado por presilhas. Uma peça que aposta tanto no material como na silhueta.

Botins de plataforma em tela crua com vivo fino de pele, usados num pátio
A tela e a pele combinam-se num botim de plataforma mais leve

O que verificar no provador

Três coisas, por esta ordem.

Foto de produto inspirada em botins de plataforma com gola de lã tricotada
Foto de produto inspirada em botins de plataforma com gola de lã tricotada
  • A altura. Entre 5 e 8 cm, a plataforma usa-se o dia inteiro. Acima de 9 cm, o tornozelo cansa depressa se andares muito: mais vale reservar esses pares para dias curtos.
  • Os atacadores. As presilhas bem cosidas aguentam a tensão. Se os atacadores escorregam, muitas vezes é porque são finos demais para o forro. Dobra o pé: a gola não deve cortar-te o tendão.
  • O material. A pele plena-flor e o nubuck respiram melhor, mas pedem manutenção regular. O sintético custa menos e aguenta melhor a chuva, só que marca mais as dobras do andar.
Num provador, uma mulher ajusta os atacadores de um botim de plataforma em frente ao espelho
No provador, dobra o pé e anda dez minutos antes de decidir

Experimenta no fim do dia, com a meia ou os collants que tens previsto, e anda dez minutos sobre um pavimento duro. É a única forma de saber se a sola acompanha o teu pé ou o trava.

Botins de plataforma com gola de lã tricotada, vistos de três quartos traseiros
A gola de lã dobra-se e mantém o tornozelo quente

Com o que usar

Calças de ganga direitas que terminem no topo da bota, vestido midi fluido, saia curta com collants opacos: as três combinações que funcionam melhor. A ideia? Deixar respirar o tornozelo e evitar sobrepor dois volumes fortes. Um caimento limpo, uma atitude afirmada e está feito. Podes acrescentar um cinto marcado ou uma mala de pele texturada, mas evita calças demasiado largas que quebram a linha.

Foto de produto inspirada em botins forrados a preto com pelo na aba
Foto de produto inspirada em botins forrados a preto com pelo na aba
Vestido midi fluido e botins de plataforma pretos usados num interior claro
Um vestido fluido e uma bota curta: a linha mantém-se limpa

O detalhe que faz diferença: num par novo, pede numa sapataria para colocar uma proteção antiderrapante e um reforço na sola. Pede o orçamento: o reforço protege a sola e a proteção antiderrapante evita escorregões, sobretudo nas solas de crepe.

Botins de plataforma com abas de pelo, calçados em degraus de madeira
As abas de pelo enfeitam a bota e protegem do frio

Orçamento

Valores aproximados que se encontram no mercado português, sem contar com promoções:

  • 45 a 90 €: sintético ou pele reconstituída, cadeias de moda e grandes superfícies.
  • 90 a 170 €: pele verdadeira, marcas de calçado, lojas online especializadas.
  • 170 a 300 € e mais: fabrico europeu, pele plena-flor, solas substituíveis.
  • 20 a 80 €: segunda mão, lojas de roupa usada e plataformas de revenda — a boa opção para testar o estilo sem investir muito.

O que faz variar a conta: o material da bota, o local de fabrico, o tipo de sola (crepe, borracha dentada, aspeto de madeira) e a altura em que compras. Onde os encontrar: em loja de rua ou centro comercial, nos sites oficiais das marcas e em revendedores multimarca. Para números grandes, a escolha em loja é mais reduzida: vale mais procurar online.

Fontes

  • Lei francesa n.º 2020-105, de 10 de fevereiro de 2020, relativa à luta contra o desperdício e à economia circular (lei AGEC), aplicável ao setor do calçado em França.
  • Regulamento (UE) 2024/1781, que estabelece um quadro para a definição de requisitos de conceção ecológica (EUR-Lex).