Já fizeste as contas, admite. Um loiro platina é uma noite de desejo e meses a recuperar. Um bob com franja, três meses de crescimento antes de poderes dizer «afinal, não». A peruca, essa, põe-se, tira-se e não deixa nada atrás. Nos desfiles e nos videoclipes, deixou de ser um disfarce para se tornar uma peça statement como qualquer outra — a tirar do armário quando a vontade de mudar de silhueta fica demasiado forte.

Experimentas um corte, não outra pessoa

Uma peruca não serve só para desempenhar um papel. Permite testar um corte, uma cor, um comprimento antes de ires ao cabeleireiro, ou apenas para uma festa. Não vale a pena enganarmo-nos: a armadilha é querer logo doze tons mais claros e três comprimentos a mais. Para uma primeira vez, fica-te por um ou dois tons da tua cor, com uma textura e um cair próximos daquilo com que já estás à vontade. Depois é só acrescentares acessórios — uma banda, um gancho, um lenço — e o look completo compõe-se sozinho.

Jovem mulher mestiça com peruca loiro platina e casaco camel a caminhar na rua
A peruca como peça statement, do armário à rua

Sintético ou cabelo natural?

Quanto ao material, há duas grandes famílias a dividir o mercado. A fibra sintética, primeiro: acessível, fácil de cuidar, com texturas variadas. O senão? O cair, muitas vezes mais rígido, e o brilho por vezes demasiado evidente. As versões resistentes ao calor aceitam um ferro morno, nunca pranchas muito quentes — a fibra derreteria. O cabelo natural, depois: densidade, reflexo e textura mais próximos do cabelo humano, que dá para aparar e recolorir parcialmente num peruqueiro. Conta, muitas vezes, com várias vezes o preço do sintético por este aspeto mais credível.

Digamos já: não existe, tanto quanto sabemos, um rótulo biológico europeu para cabelo humano, e a origem continua muitas vezes indefinida. Uma peruca «100 % cabelo natural» com um preço surpreendentemente baixo merece, por isso, algumas perguntas ao vendedor, tanto sobre a proveniência como sobre a rastreabilidade.

Mãos a levantar uma mecha de peruca em cabelo natural junto a uma janela
Densidade e reflexo do cabelo natural, à luz do dia

A touca e o corte fazem toda a diferença

A touca pesa muito no resultado, bem mais do que se imagina. Uma rede fina ou uma renda tipo lace front dá uma risca credível; uma touca espessa nota-se logo na linha da testa, e aí a ilusão desfaz-se. O corte conta tanto como isso: algumas mechas desfiadas à volta do rosto quebram o efeito capacete, e uma passagem rápida por um cabeleireiro habituado a próteses basta para transformar uma peruca num penteado. Transparência total: não testei todas as perucas disponíveis; o que descrevo vem das minhas experimentações em salão e de fontes públicas.

Mão a pentear as pontas de uma peruca húmida pousada num suporte para perucas, junto a uma janela
Renda fina e risca trabalhada, o detalhe que torna o penteado credível

O gesto que faz toda a diferença. Guarda a peruca num suporte próprio, nunca num saco de plástico. Escova das pontas para a touca, lava com água fria e um champô suave, deixa secar ao ar livre: é isto que mais ajuda a conservá-la, simplesmente.

::produit Se queres limitar o impacto. Opta por uma touca em algodão ou jersey de bambu em vez de nylon espesso, uma embalagem em cartão e um certificado Oeko-Tex Standard 100 nos têxteis da touca — este selo certifica que o têxtil foi testado quanto a substâncias nocivas, segundo limites definidos, nada mais. O ponto negativo: o fim de vida. Uma peruca usada acaba quase sempre no lixo comum, por falta de um circuito dedicado; vale mais uma fibra resistente e que dê para aparar do que um modelo de preço baixo trocado a cada seis meses. ::

Orçamento

Quanto ao orçamento, a fatura varia imenso — estas são as ordens de grandeza que se observam em França, a título de referência:

  • Sintética decente: conta com cerca de 40 a 150 €, online ou numa loja especializada.
  • Cabelo natural: a partir de 200 €, muitas vezes 400 a 900 € para cabelo comprido, denso ou com renda.
  • Feito por medida, colocação e ajustes em salão: de 500 a 1 500 €.
  • Manutenção, lavagem, aparar: 20 a 60 €.

O que faz subir a fatura: o comprimento, a densidade, o tipo de touca, a resistência da fibra e a origem do cabelo. A saber também: em Portugal, algumas próteses capilares podem ser comparticipadas mediante prescrição, em caso de alopecia ligada a um tratamento — vale a pena verificares junto do SNS e do teu médico antes de comprar. Para um primeiro teste, começa por um modelo abaixo dos 100 € e usa-o um fim de semana inteiro: vais perceber depressa se o visual te agrada mesmo.

Fontes

  • SNS — Serviço Nacional de Saúde: informação sobre comparticipação de próteses capilares.
  • IPO — Instituto Português de Oncologia: cuidados de suporte.