Todos os verões é a mesma cena na casa de banho: pega-se na lâmina, resmunga-se e promete-se que para o ano é diferente. Entre a cera que não apetece derreter, a ida à esteticista que se vai adiando há semanas e o pelo que volta sempre na pior altura, encontrar o método certo é um pequeno quebra-cabeças. Nos últimos anos, há uma alternativa que conquistou um lugar de destaque: a depiladora elétrica.

Só que, sobre ela, ouve-se tudo e o seu contrário. Que é insuportável, que é maravilhosa, que estraga a pele, que dura semanas… Quando nunca se experimentou o dito aparelho, é difícil perceber se o investimento — porque é mesmo um investimento — compensa. Por isso, pegámos nas perguntas que mais se repetem, para veres as coisas com mais clareza antes de abrires a carteira.

Dói?

A grande pergunta, aquela que surge sempre numa conversa entre amigas, e a dúvida é mais do que justa. Não vale a pena mentir: qualquer depilação provoca uma sensação desagradável, porque o pelo é arrancado pela raiz. A verdadeira diferença está no ritmo. A cera aposta num arranque em bloco, brutal mas rápido; a depiladora elétrica trabalha em superfícies mais pequenas, pelo a pelo, o que reparte a sensação ao longo do tempo. Resultado: há quem ache mais suportável, precisamente porque a dor não se concentra num único gesto, e há quem prefira sofrer de uma vez por todas. Depende do teu limiar de tolerância e da zona — entre as pernas e a virilha, a história não é a mesma.

Plano aproximado da cabeça de uma depiladora com banda refrigerante por cima de um lavatório húmido

Boa notícia: as marcas desdobram-se em truques para tornar o momento mais suave — rolos de massagem, bandas refrigerantes, possibilidade de depilar debaixo de água. São dispositivos que fazem o seu efeito em graus variados, mas sem milagres. Os aparelhos de última geração vão claramente no sentido de uma depilação mais confortável, isso é indiscutível. E quem já usa confirma: a pele vai-se habituando um pouco. Se as primeiras sessões picam a sério, ao longo das utilizações custa cada vez menos.

A rotina que ajuda: depila à noite, com a pele limpa e bem seca — ou debaixo de água, se o teu modelo o permitir — e deixa a pele em paz até ao dia seguinte. Hidrata no dia seguinte, nunca na própria noite. A tua pele agradece.

Eficaz, sim, mas com algumas condições

Outra dúvida frequente, sobretudo em quem nunca experimentou: funciona mesmo, ou vou ficar com pelos esquecidos por todo o lado? A resposta é sim, a depiladora elétrica é eficaz. Mas há uma coisa a ter em conta: é bem prática — não há cera para derreter, nem dedos pegajosos, e cabe numa gaveta — mas exige alguma disponibilidade. Apesar dos progressos dos últimos anos, uma única passagem nem sempre chega. É preciso ir com calma, voltar a passar em certas zonas e, muitas vezes, fazer um retoque uns dias depois. O pelo costuma levar várias semanas a voltar a crescer, o que explica a sensação de pelos esquecidos. E nem todos estão no mesmo ponto quando começas: alguns ainda são demasiado curtos para serem vistos ou apanhados.

Mão a guardar uma depiladora recarregável numa gaveta de casa de banho forrada a linho

Dito isto, se uma depilação completa pede paciência, um simples retoque resolve-se em poucos minutos, o tempo de passar nas zonas esquecidas.

Também importante: os modelos recentes foram pensados para apanhar pelos cada vez mais curtos, mas têm limites. Não é preciso esperar que cheguem aos 5 mm, descansa, mas o aparelho pode ter dificuldade com um pelo que está a nascer. E algumas utilizadoras sentem dificuldade com pelos muito finos, que por vezes passam completamente ao lado da depiladora.

Pelos encravados e borbulhas: o que acontece depois

Outra nota importante, e preferimos avisar: não é raro aparecerem pelos encravados quando o pelo volta a crescer. Formam-se pequenas borbulhas porque o pelo cresce por baixo da pele sem conseguir sair. O fenómeno surge com frequência nas primeiras depilações e costuma atenuar-se sozinho com o tempo. Para limitar os danos, esfolia a pele com regularidade no duche — mas evita esfoliar imediatamente antes ou depois da depilação, com o risco de irritares ainda mais.

Depois da passagem do aparelho, aparecem também pequenos pontos vermelhos nas zonas depiladas. Não são pelos encravados, mas microtraumatismos provocados pelo arranque do pelo: nada de preocupante, desaparecem depressa. Daí a vantagem de depilar à noite, para dar tempo à pele de recuperar durante o sono. E se conseguires fazê-lo depois do duche, melhor ainda: o calor amolece a pele e suaviza o pelo, o que pode tornar a depilação menos incómoda.

Esfoliante sólido e escova de madeira para as costas numa prateleira de casa de banho bem iluminada

Como escolher a depiladora?

Perante a quantidade de modelos que as marcas apresentam, é difícil saber para onde olhar. Primeiro ponto de referência: uma depiladora dura muito tempo. Às vezes vale mais pagar um pouco mais por um aparelho de boa qualidade do que ter de o trocar ao fim de um ano ou dois. Depois, tudo depende das tuas necessidades reais.

Alguns modelos trazem cabeças especiais para zonas estreitas, como a virilha ou as axilas — muito prático se pensas depilá-las em casa. Outros apostam na velocidade variável, uma mais-valia numa zona sensível, embora quem só depile as pernas não lhe veja grande utilidade. Quanto aos dispositivos anti-dor, és tu que julgas: a depilação debaixo de água e os rolos de massagem são, na nossa opinião, o que funciona melhor. Gostamos também da pequena luz integrada, que ilumina a zona e evita deixar um pelo para trás — não é tão supérfluo como parece. E, para a higiene, dá preferência a um modelo cuja cabeça se destaca e passa por água, a limpar sempre depois de cada utilização.

Quanto custa

Em matéria de preço, é difícil dar um número único, tal é a diferença entre modelos. Uma depiladora de entrada de gama encontra-se por volta dos 20 €, enquanto um modelo de topo, com várias cabeças e cabeça lavável, ultrapassa facilmente os 100 €. O que faz subir a fatura? A velocidade variável, as cabeças intercambiáveis para a virilha ou o rosto, a autonomia dos modelos sem fios, a base ou o estojo de arrumação incluídos. Onde as encontrar? Em grandes superfícies, em parafarmácias e perfumarias (Wells, Perfumes & Companhias, Sephora, Notino), em farmácias e em plataformas online como a Amazon.es e, por vezes, em segunda mão, para testar um modelo antes de investir mais — nesse caso, lembra-te de desinfetar a cabeça antes da primeira utilização.

Fontes