Conheces a cena. Sai da perfumaria com uma base de 35 €, a vendedora jurou que era o teu tom, e uma hora depois, à luz do dia, o rosto puxa descaradamente para o laranja. Já me aconteceu duas vezes antes de perceber uma coisa muito simples: um tom não se escolhe a olho, testa-se. Os que não experimentei eu mesma — digo já — estão documentados, não testados.

Escolher o tom certo de base

Não vale a pena fingir: é o passo em que quase toda a gente falha. A armadilha clássica é o dorso da mão ou o interior do pulso. Na verdade, essa zona nunca tem a mesma cor do rosto — muitas vezes é mais clara, mais rosada ou mais pálida no inverno. Resultado: sais da loja com um tom que não é o teu.

Três tons de base traçados na mandíbula, esbatidos com a ponta do dedo
Três tons, cinco minutos na rua: o certo é aquele que já não se vê

O gesto que muda tudo: o teste faz-se na mandíbula. Traça três riscos de tons diferentes, do mais claro ao mais escuro, esbate com a ponta do dedo e sai para a rua cinco minutos. Depois olha para o teu reflexo à luz natural, não no espelho da loja. O tom certo é aquele que desaparece — aquele que já não vês.

Segundo ponto: o subtom. Um tom pode ser «claro» e, mesmo assim, demasiado rosa ou demasiado amarelo para ti. Uma referência útil: a cor das veias no interior do pulso. Mais azuladas, pende para o frio; mais verdes, para o quente; uma mistura das duas, e és neutra. Não substitui o teste, mas elimina metade dos frascos.

Se ainda hesitas, pede uma amostra: muitas perfumarias e parafarmácias dão, e um saquinho de 2 ml já permite formar uma ideia. É sempre mais barato do que um frasco que vai acabar no fundo de uma gaveta. Quanto à fórmula, vê também as bases com certificação biológica (Cosmos Organic, por exemplo) se a tua pele reage depressa: este selo regula a percentagem de ingredientes de origem natural e de ingredientes biológicos, o que pode limitar o recurso a perfumes e filtros sintéticos. O compromisso existe, e convém conhecê-lo: algumas fórmulas convencionais aguentam mais tempo numa pele muito oleosa.

Fazer a base durar mais

Mesmo as fórmulas de longa duração acabam por ceder. O sebo, o atrito, as horas que passam: tudo isso ataca primeiro a testa, o queixo e o contorno do nariz.

Jovem a pôr pó na zona T com um pincel grande numa casa de banho luminosa
O pó aplica-se com pequenos toques, só onde a pele brilha

O pó. A base põe-se com pó, sobretudo na zona T. Escolhe um pó solto transparente se não quiseres alterar nada, ligeiramente pigmentado se procuras um efeito aveludado. Aplica com pequenos toques, com um pincel grande ou uma esponja, apenas onde brilha. Um pó vendido a granel ou em embalagem recarregável torna a embalagem mais leve sem mudar nada no resultado.

A base de preparação. Um primer pode ajudar, desde que seja o certo. As bases muito carregadas de silicone portam-se bem em pele seca, mas em pele mista ou oleosa fazem deslizar a base. Se a tua pele brilha depressa, procura antes uma base leve, sem silicone, com niacinamida.

O spray fixador. É o gesto que levei anos a adotar. Uma água termal não fixa nada: refresca, e é tudo. Um verdadeiro fixador contém polímeros que formam uma película leve sobre a maquilhagem. Pulveriza a trinta centímetros, uma única névoa, e deixa secar sem tocar. É aqui que o natural se torna mais complicado: as fórmulas mais resistentes continuam normalmente a ser convencionais — cabe-te a ti pesar o compromisso.

O teste que faço sempre na loja: peço para me aplicarem o tom numa metade do rosto e saio com a outra metade ao natural. Ao meio-dia, comparo. Se a demarcação se vê, tenho a minha resposta — e não gastei nada.

Corrigir uma base demasiado escura

Acontece a toda a gente, e quando o frasco custou caro, não apetece deitá-lo fora.

Base misturada com uma ponta de creme hidratante no dorso da mão
Uma ponta de creme clareia o tom e aligeira a cobertura

A solução mais simples é misturar. No dorso da mão, põe uma porção pequena de base e junta uma ponta de creme hidratante: clareias o tom, mas também aligeiras a cobertura. Reserva para os dias em que queres um acabamento leve.

Outra opção, mais precisa: as gotas clareantes, esses pigmentos brancos vendidos à parte. Meia gota chega para reajustar um tom um pouco demasiado escuro. E se tiveres um corretor fluido mais claro que a tua pele, apanha um pouco e mistura diretamente: funciona muito bem.

Um último uso possível: guarda-o para o verão e usa-o numa camada bem fina nas zonas de contorno, têmporas e mandíbula. Uma base demasiado escura faz uma sombra perfeitamente aceitável.

Aplicar bem o rímel

O rímel é muitas vezes a única coisa que se põe antes de sair. E é também onde se cometem mais erros.

O método certo: coloca a escova na raiz dos cílios e sobe até à ponta em ziguezague. Este pequeno movimento separa os cílios e impregna todo o comprimento, em vez de deixar um bloco na ponta. Depois, deixa secar completamente — dois minutos, não cinco segundos — antes de dares uma segunda camada. É esta secagem que evita os grumos.

Um truque: para de bombear a escova dentro do tubo. Isso faz entrar ar, a fórmula seca mais depressa, e o teu rímel morre ao fim de três meses. Roda a escova sobre si mesma, é suficiente. Se queres reduzir resíduos, é bom saberes que alguns rímeis existem em recarga ou em tubo de vidro: vale a pena quando a fórmula te agrada, mas continua a ser raro.

Para tirar eventuais grumos, passa um lenço a pinçar a ponta dos cílios enquanto o rímel ainda está húmido. Nunca na pálpebra: espalharias tudo.

Fazer a sombra durar

Uma pálpebra nua é uma pálpebra que transfere. A sombra vai parar à dobra ao fim de duas horas, e a cor desmancha-se.

O gesto simples: aplica uma camada fina de corretor em toda a pálpebra móvel, depois põe um pouco de pó. O corretor agarra o pigmento, o pó impede que a oleosidade o dissolva. Dois produtos, um resultado. Se quiseres ir mais longe, existem bases específicas para pálpebras, normalmente com mais cobertura: uniformizam a pálpebra e aguentam bem, sobretudo por baixo de sombras muito pigmentadas.

O truque extra: começa por uma sombra cremosa e sobrepõe um pó da mesma família de cores por cima. Aguenta claramente mais tempo do que um pó sozinho.

Evitar as quedas de sombra sob o olho

É o clássico da manhã apressada: aplicas a sombra e metade cai para as maçãs do rosto. Duas defesas.

Primeiro, a ordem. Se puderes, maquilha os olhos antes da base: os resíduos saem com uma passagem de algodão, sem estragar a base. Depois, bate com a escova antes de cada passagem — o excesso não serve de nada na pálpebra, só serve para sujar.

Se preferires terminar pelos olhos, aplica uma camada espessa de pó solto por baixo do olho antes. Serve de armadilha para os pigmentos: no fim, varres, e sai tudo. É o suficiente para manteres uma maquilhagem mais limpa ao longo do dia, sem refazer tudo a cada duas horas. Começa por uma coisa só, o teste na mandíbula por exemplo, e dá tempo ao tempo para veres o que funciona melhor na tua pele.

Preços

Não é preciso mudar tudo de uma vez. Em Portugal, conta com cerca de 10 a 22 € por uma base de supermercado ou de marca própria, 25 a 45 € em perfumaria, e até 60 € e mais em algumas marcas de nicho. Quando existe recarga, fica habitualmente 15 a 25 % mais barata do que a embalagem completa — a confirmar caso a caso. O pó solto situa-se entre 7 e 16 € no supermercado e 20 a 40 € em perfumaria; a granel ou em embalagem recarregável, os preços mantêm-se comparáveis, por vezes um pouco mais altos na primeira compra. Uma base de preparação leve começa entre 10 e 20 € no supermercado e sobe para 25 a 40 € em marca seletiva; um spray fixador, dos 8 aos 20 €, e 25 a 35 € em seletiva. O rímel continua a ser o produto mais acessível: 8 a 15 € no supermercado ou em loja biológica, 20 a 35 € em perfumaria. Já as gotas clareantes encontram-se entre 10 e 30 €.

Estas diferenças dependem da cidade, da gama, da embalagem e da existência de recarga. Para encontrares tudo isto: perfumarias e espaços de beleza das grandes superfícies para testar tons, parafarmácias e lojas biológicas para as fórmulas certificadas, sites em linha para recargas e formatos a granel. As amostras, essas, continuam gratuitas nas lojas — aproveita antes de tirares o cartão.

Fontes

  • Regulamento (CE) n.º 1223/2009 do Parlamento Europeu e do Conselho, relativo aos produtos cosméticos.
  • INFARMED — Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde.
  • DECO PROteste — comparativos e inquéritos sobre produtos cosméticos.