O azulejo da casa de banho é um juiz implacável. Sob a luz do salão, o teu loiro mel fazia maravilhas; em casa, ao meio-dia, puxava para um verde de piscina municipal no mínimo discutível! Então, coloração falhada, o que fazer? Nada de pânico: respira e vê as opções antes de te atirares à primeira caixa que encontras.

Vista de costas, uma mão levanta uma madeixa de cabelo castanho com comprimentos irregulares numa casa de banho

Primeiro, percebe o que aconteceu

Os espelhos do salão e as lâmpadas amareladas pregaram-te uma partida, está bem — mas a verdadeira surpresa é muitas vezes a tua, quando chegas a casa. Cedeste aos argumentos de uma amiga convencida com a coloração de supermercado dela? Ou foi no cabeleireiro que tudo se decidiu, e só no dia seguinte o resultado te saltou à vista? Em ambos os casos, o diagnóstico é o mesmo: o teu castanho supostamente acobreado ficou vermelho, ou os teus reflexos loiros descambaram em verde.

Boa notícia: nunca é o fim do mundo. Má notícia, e não vale a pena adoçar a pílula: uma coloração desgasta o cabelo, e corrigi-la também. Os gritos e as lágrimas não resolvem nada, e cinco lavagens seguidas muito menos. O cabeleireiro pode arranjar-te isso. Só não contes recuperar exatamente a tonalidade sonhada: ele vai trabalhar com o que tem à frente, e ainda assim será bem melhor do que agora.

O que se corrige facilmente... e o que é mais complicado

Tudo depende da base de partida. Se tens cabelo claro — loiro, por exemplo — estás com sorte: é sempre mais fácil escurecer do que clarear. Uma tonalização num loiro mais escuro e o assunto resolve-se, talvez com um resultado um pouco mais profundo do que esperavas e alguns meses de paciência antes de voltares a ousar clarear. Entretanto, a cor vai-se suavizando sozinha ao longo das lavagens.

Cabelo escuro, por outro lado, é caminho mais delicado. Duas hipóteses: escurecer de vez para cobrir a tonalidade indesejada — com o risco de um preto integral — ou fazer algumas madeixas para quebrar o aspeto geral e deixar o conjunto respirar. Os descolorantes existem, mas os cabeleireiros evitam-nos sempre que podem: são muito agressivos e fragilizam seriamente a fibra. Pesa os prós e os contras.

No salão, mãos com luvas aplicam uma madeixa de teste no cabelo de uma cliente com capa

Antes de corrigir seja o que for, testa: uma madeixa discreta atrás da orelha, para ver o que a fórmula faz na tua fibra, e um pequeno teste cutâneo alguns dias antes se houver um produto novo. Dois minutos de paciência que evitam muitas lágrimas.

E se deixarmos o tempo fazer o seu trabalho?

Convém também saber que os champôs e o sol esbatem as cores, incluindo colorações compósitas ou Diacolor. Na prática, alguns reflexos podem desaparecer com as lavagens e a exposição — mas o tempo varia de pessoa para pessoa, e há reflexos que se agarram teimosamente. Nesse caso, um diagnóstico no salão ajuda a perceber onde estás realmente antes de mexer em mais alguma coisa.

Entretanto, a tua única verdadeira obrigação é hidratar. O cabelo sai duplamente fragilizado, quebradiço e com pontas espigadas: aposta em máscaras, cremes e óleos capilares, num ritual regular. Na escolha dos produtos, privilegia o natural sem te obrigares a nada: óleos vegetais puros em frasco de vidro, máscaras sólidas ou a granel, fórmulas recarregáveis — a maioria dos ingredientes que nutrem mesmo a fibra (karité, coco, jojoba, aloé) encontra-se facilmente de origem natural, muitas vezes biológica, e em embalagens mais discretas. O gesto conta tanto como a marca: em cabelo húmido, depois de retirar o excesso de água, distribui dos comprimentos para as pontas, deixa atuar e enxagua.

Jovem a aplicar óleo vegetal nas pontas do cabelo, com um frasco de vidro sobre um prato

O reflexo certo: diagnóstico antes de voltar a pintar

Não refaças nada às cegas, mesmo que a tentação seja forte. Um diagnóstico de cor no salão — conversa sobre o historial de tintas, madeixa de teste, análise da porosidade — evita muitas vezes acumular camadas e sair com uma segunda má surpresa. Se quiseres primeiro dar-te margem de manobra, espaça os retoques e continua o cuidado hidratante entretanto; mais tarde saberás sobre o que estás a trabalhar.

Último ponto, e não é pequeno: não esperes que o cabeleireiro adivinhe exatamente a cor que tinhas na cabeça. Vai fazer o melhor possível com o que tem à frente. E muito provavelmente ficará mais bonito do que está agora!

Orçamento

No salão, conta com cerca de 30 a 60 € por um gloss ou banho de cor de correção, 50 a 100 € por uma recoloração completa e mais entre 80 e 180 € se o cabeleireiro tiver de recorrer a balayage ou madeixas para mudar o aspeto geral. Os preços sobem com o comprimento do cabelo, a espessura da massa e o tempo despendido; nas cidades, são muitas vezes mais altos do que na periferia, e um salão independente pratica por vezes preços mais simpáticos do que uma grande cadeia. Pede sempre um orçamento antes de te sentares na cadeira.

Na manutenção, não vale a pena mirar no topo de gama: máscaras e óleos capilares de supermercado cumprem muito bem o papel nas semanas seguintes, tal como as versões sólidas ou a granel que se encontram em lojas de cosmética natural e online. O único investimento que compensa mesmo é o diagnóstico: muitas vezes proposto antes de um serviço, por vezes cobrado à parte, pode poupar-te bem mais do que custa.

O veredicto da Léna: sim, uma coloração falhada corrige-se — mas com uma condição. É preciso tempo para perceber porque é que a coisa descarrilou e paciência em vez de uma nova caixa. O teu cabelo agradece, e tu vais esquecer depressa aquele verde de piscina.