São 23h40 de um domingo e tens nove separadores abertos com psicólogos da tua cidade. Fechas oito. Fica um nome, um preço em pontilhado e aquela pergunta que não se resolve por intuição: por onde começar?

O enquadramento muda, mas o método pode definir-se agora

O cenário administrativo muda mais depressa do que os hábitos. Os programas de apoio psicológico no SNS evoluíram, os seguros de saúde multiplicam os pacotes «psicologia» e as consultas online entraram na rotina. É o momento de adotar um método — em vez de escolher um profissional numa noite em que o moral está em baixo.

Uma mulher toma notas em frente ao computador, telemóvel na mão
Confirmar o pacote de psicologia antes de marcar: muitas vezes basta um telefonema

O que se sabe: estes enquadramentos existem, são regulados e cobrem apenas uma parte das situações. O que ainda não podemos saber no teu lugar: se o teu caso se encaixa neles e o que o teu seguro reembolsa realmente este ano. Na prática, um telefonema e um email chegam muitas vezes para dissipar a dúvida antes da primeira consulta.

Presencial ou online: dois formatos, não dois campos opostos

As sessões online são «realmente» terapia? Em certas situações, sobretudo quando o acesso ao presencial é difícil, a via online pode servir; para a ansiedade e a depressão leve a moderada existem estudos, mas não permitem concluir por uma equivalência sistemática. Em caso de perturbação grave ou risco suicida, pede uma avaliação médica; o presencial é muitas vezes privilegiado por segurança, mas a decisão depende da avaliação do profissional.

Uma mulher no sofá acompanha uma sessão de terapia por videoconferência
A videoconsulta instala-se, desde que haja um enquadramento realmente tranquilo

Fica a experiência vivida, que não consta em nenhum estudo. O presencial tem os seus rituais: o trajeto, a sala de espera, o lenço de papel, o luxo de ser outra pessoa durante cinquenta minutos. A consulta online tem vantagens bem reais: sem duas horas de transporte, um profissional instalado no outro extremo do país, uma sessão que sobrevive a uma semana cheia. Em troca, precisas de uma porta que feche e de uma ligação minimamente decente.

Consoante o que estás a atravessar

Um stress instalado, noites aos pedaços, um luto, um esgotamento que resiste a dois fins de semana de descanso: estas situações não pedem os mesmos interlocutores. Perante um cansaço que se prolonga, a primeira consulta útil é muitas vezes no teu médico de família: uma tiroide preguiçosa, uma anemia ou um sono interrompido produzem quadros que se parecem com uma depressão.

Uma mulher em consulta com o médico de família, num consultório luminoso
Um cansaço que dura merece primeiro uma avaliação no médico de família

Depois, o formato. Um psicólogo clínico para um trabalho regular; um psiquiatra quando está em jogo um diagnóstico ou um tratamento — é médico e só ele prescreve; um psicoterapeuta para um acompanhamento de longo prazo, sabendo que o exercício da psicoterapia é regulado e que os psicólogos estão inscritos na Ordem dos Psicólogos Portugueses. Um luto não tem prazo de validade: se a dor ainda te impede de trabalhar ou de ver pessoas muito tempo depois, não é falta de vontade. Na prática, pergunta antes: «como trabalha, com que frequência e, em geral, durante quanto tempo?»

Uma mulher relê no telemóvel as notas que preparou antes de uma sessão
Três linhas escritas na véspera chegam para abrir uma primeira sessão
Uma mulher sai de um edifício depois de uma sessão, saco ao ombro
Reavaliar um acompanhamento que não avança: um direito, não um fracasso

Orçamento: o que sai do teu bolso

Num psicólogo em prática liberal, o preço da sessão é livre: varia conforme o profissional, a cidade e o formato escolhido — pergunta-o antes de marcar. Na psiquiatria, a consulta no SNS é gratuita ou sujeita a taxa moderadora, mas as listas de espera podem ser longas. Em consultório privado, o preço é livre, podendo ser parcialmente reembolsado pelo seguro de saúde; alguns profissionais praticam valores que ficam fora da tabela convencionada e que o seguro não cobre na totalidade.

As consultas de psicologia nos centros de saúde, gratuitas ou com taxa moderadora, continuam a ser uma via sólida mas muitas vezes saturada, com esperas que podem contar-se em meses.

A ter em conta também: muitos profissionais cobram uma sessão cancelada na véspera ou no próprio dia. Não é avidez — o horário estava reservado para ti. Pergunta qual é a regra antes de marcar e confirma o que o teu seguro chama de «pacote de psicoterapia»: a expressão não cobre as mesmas condições de um seguro para outro.

A primeira sessão prepara-se (um pouco)

Nada é obrigatório, mas três linhas numa nota do telemóvel mudam tudo: porque vens hoje, o que mais pesa neste momento, o que gostarias de levar dali. Não tens de desfiar a tua infância em cinquenta minutos.

É também o momento de colocar as perguntas que voltarão mais tarde: o sigilo profissional e os seus limites, muito enquadrados por lei; a frequência proposta; o preço, escrito preto no branco; e o que acontece se não houver sintonia. Um profissional que acolhe estas perguntas de bom grado é muitas vezes aquele com quem o trabalho será possível.

Quando perceber que não está a resultar

Falar para o vazio durante três sessões não tem nada a ver com estar «demasiado danificado»: é uma informação. A referência que circula muitas vezes ronda as quatro a seis sessões para sentir se o enquadramento se sustenta. Mais do que isso, se nada muda, se estás a contar os minutos para a hora acabar, é legítimo reavaliar — ou mudar de profissional.

Um terapeuta que se ofende por alguém sair diz muito, aliás; um bom profissional ajuda-te mesmo a pôr em palavras o que não funcionou.

Em caso de ideias suicidas, ou se alguém próximo está preocupado contigo, o SNS 24 (808 24 24 24) está disponível gratuitamente 24 horas por dia e encaminha-te para o apoio mais adequado. E perante uma dúvida persistente — cansaço, sono, humor — fala com um profissional: o teu médico de família, o serviço de urgência ou uma consulta de saúde de adolescentes, consoante a idade.

E se só retiveres uma coisa destas referências? Escolher um psicólogo não é um exame que se passa à primeira: é um ensaio, com um enquadramento claro, um preço conhecido e o direito de mudar de ideias. Num processo em que falamos de nós próprios, isso já não é pouco!