«Sulfureuse». É o tipo de palavra que se cola a uma mulher como uma alcunha de escola: nunca escolhida, sempre repetida. Nos anos 2000, a imprensa cor-de-rosa especializou-se em reduzir as saídas à noite de Lindsay Lohan a esse rótulo, esquecendo um pouco depressa que ela tinha começado num set de cinema aos doze anos.


Vinte anos depois, o adjetivo soa datado, quase injusto. Nascida em julho de 1986, em Nova Iorque, a atriz é hoje quarentona, mãe, e uma das figuras mais citadas sempre que um moodboard recupera o estilo dos anos 2000. Uma trajetória curiosa, convenhamos.

Da Disney às capas de revistas
Nada parecia predestinar esta miúda de Nova Iorque a tornar-se um fenómeno. Aos três anos, encadeia anúncios publicitários e castings; aos doze, conquista o papel principal de «The Parent Trap» (1998). A Disney percebe o potencial e integra-a no seu grupo de jovens talentos, como antes tinha feito com Britney Spears, Christina Aguilera ou Justin Timberlake.
Vêm depois «Freaky Friday», «Mean Girls» e «Herbie: Fully Loaded». A carreira descola, a notoriedade também — com a dose de holofotes apontados cedo demais a uma adolescente.

O estilo dos anos 2000 que marcou uma geração
É aqui que entra a história da moda. Boné Von Dutch, calças de cintura baixa, fato de treino de veludo, óculos escuros desmedidos e copo de café como acessório: encarna o look «paparazzi» dos anos 2000, aquele que os moodboards atuais reciclam sem qualquer complexo.

A cabeleira acobreada, as sardas e o sorriso de lado formam uma assinatura tão forte como os seus papéis. Os escândalos — condução sob o efeito do álcool, internamentos em clínicas de reabilitação, problemas com a justiça — alimentam a lenda «sulfureuse», sem nunca apagar a fascinação que exerce.

A «Lohanissance» e o regresso pelas plataformas
A verdadeira viragem é mais recente. Depois de um período de retiro, um casamento com Bader Shammas em 2022 e uma mudança para o Dubai, regressa aos sets. O filho Luai nasce em 2023.

A Netflix entrega-lhe depois várias comédias românticas — «Falling for Christmas», «Irish Wish», «Our Little Secret» — antes de ela voltar ao papel icónico em «Freakier Friday», em 2025, ao lado de Jamie Lee Curtis. A imprensa chamou a este regresso «Lohanissance», uma contração do seu nome com a palavra renascimento.
Um guarda-roupa mais sereno, longe do brilho
A mudança lê-se primeiro no guarda-roupa. As silhuetas tornam-se mais sóbrias: blazers oversize, calças de cair fluido, paletas neutras — bege, branco sujo, camel, preto. O logótipo desaparece, o tecido fala.
A cor do cabelo segue a mesma trajetória: depois de anos de loiro, castanho e ruivo, mostra agora um dourado luminoso, muitas vezes com franja cortina. Uma transição coerente com o espírito do tempo, em que o «quiet luxury» substituiu os logótipos berrantes.

Beleza com luminosidade, não com acabamento mate
Na maquilhagem, a lição é clara. Pele empoada em excesso? Esquecido! Trabalhas a luz, deixas a pele respirar, estruturas as sobrancelhas sem as fixar. Na textura, mais vale uma fórmula fina do que uma base de maquilhagem de cobertura alta: o gesto é aplicar o iluminador com leves toques no topo das maçãs do rosto, na ponte do nariz e no arco do Cupido, não espalhá-lo por todo o lado.


As sardas, durante muito tempo apagadas pelos retoques, fazem hoje parte dos detalhes que o público procura reproduzir.
Três peças para te inspirares no look Lohan. Um blazer oversize sobre uma T-shirt branca; umas calças direitas ou ligeiramente largas, que deves preferir à cintura baixa para um resultado mais contemporâneo; uns óculos quadrados em tartaruga. Na pele, aposta num iluminador leve em vez de uma base de maquilhagem de cobertura alta, e mantém as sardas visíveis. Em segunda mão, vê a composição na etiqueta: uma lã que caia bem ou um algodão espesso envelhecem muito melhor do que uma mistura sintética.


Orçamento
Boa notícia! Reproduzir a atitude geral custa menos do que o total look de origem. Conta com cerca de 50 a 150 € por um blazer oversize em lã mistura, e 20 a 60 € em lojas de segunda mão ou numa plataforma de revenda, onde às vezes encontras um cair mais interessante. Umas calças direitas encontram-se entre 40 e 100 €; acima disso, pagas sobretudo o corte e o tecido.
Nos óculos, uma armação quadrada em acetato começa por volta dos 30 a 60 € numa loja de moda, contra 100 a 250 € numa óptica com lentes corretivas — o acréscimo depende da tua visão e do tratamento. Para o iluminador, conta com 15 a 35 € em perfumaria ou parafarmácia, e, no caso de uma fórmula com ativos de origem natural certificada COSMOS Organic ou Ecocert, com 20 a 40 €, em recarga ou frasco de vidro quando possível: estas certificações garantem um referencial preciso sobre a composição, não uma eficácia superior. Tanto em lojas de produtos biológicos como em linha, os preços não variam muito, mas fica atenta à quantidade.
Último item, a cor: um dourado luminoso com patina negocia-se geralmente entre 80 e 200 € num salão, consoante o comprimento, a densidade e a cidade — e convém contar com uma manutenção a cada seis a oito semanas.
A etiqueta «sulfureuse», uma relíquia?
Aos quarenta anos, Lindsay Lohan carrega ainda uma reputação construída por outros. Mas o olhar do público mudou: onde os tabloides viam uma criança perdida, muitos veem agora uma mulher que atravessou a sobrexposição mediática, a maternidade e os anos sem se dissolver.
Se a palavra «sulfureuse» lhe sobrevive, é talvez por nostalgia: lembra uma época em que a imprensa cor-de-rosa julgava as jovens mulheres mais depressa do que as ouvia.





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