Uma sapatilha com mais de um século de histórias
Abres o armário e, lá no fundo, elas estão. Um par de Converse já gasto, a lona amarelada nas bordas, a sola a guardar a marca das gargalhadas da adolescência. Todas temos um par assim algures. E, ainda assim, não nos cansamos de as tirar outra vez, estação após estação, como se fizessem parte do kit de sobrevivência do guarda-roupa. Mas, afinal, sabes mesmo o que está por trás do mito?

Esta pequena maravilha nasce em 1917. Na origem, é pensada para os basquetebolistas — um modelo feito para o desporto e para o desempenho. E, no entanto, passa quase despercebida ao início: umas sapatilhas entre tantas, sem nada que as distinguisse de verdade. Só que ninguém contava com um certo Chuck Taylor, jogador de basquetebol dos anos 1920 que se tornou embaixador da marca. Em 1923, o nome dele aparece no calçado: nascia a Converse All Star Chuck Taylor, com uma boa dose de idolatria à mistura. É assim que um simples modelo técnico se transforma num objeto de fascínio.

E depois? Uma trajetória impressionante. A sapatilha vestiu geração após geração e a marca chegou mesmo a fornecer pares ao exército norte-americano. Parece uma história de sucesso sem nuvens… mas, como tantos êxitos, o ímpeto acabou por esmorecer. Continuavam a ser usadas e vendidas, mas a Converse foi caindo no esquecimento, reduzida à condição de sapatilha comum. A marca perdeu fulgor e a empresa viu-se em maus lençóis. É então que a Nike, Inc. entra em cena e compra a casa. Um salvamento inesperado?

Gostamos de pensar que a Nike lhe deu uma segunda vida. E a verdade é que, desde então, as Converse voltaram a povoar o alcatrão! Em várias cores, materiais e formas — sim, a versão com salto alto existe mesmo, e não passa despercebida! —, regressaram ao primeiro plano com solas de borracha e campanhas muito bem pensadas. O último golpe de efeito? Sofia Coppola calçou um par de Converse no guarda-roupa da sua Marie-Antoinette. O que poderia ser mais natural, afinal?

Agora, como usá-las sem que pareça uma fantasia? É aqui que a textura e o padrão entram em jogo. Uma lona revestida ou um motivo gráfico anima um conjunto todo liso e dá um toque a um total look preto sem qualquer esforço. Combina-as com ganga crua ou uma saia midi: quebram com suavidade o ar sério de qualquer visual. O prateado, por sua vez, usa-se como uma joia — escolhe-se primeiro pela matéria e pelo caimento, mais do que pela cor. Um par metalizado traz uma nota de luz a um conjunto escuro e resulta tanto com ganga como com um vestido fluido. Em resumo, a Converse All Star acompanha todos os estilos, enche os nossos armários e agrada tanto a homens como a mulheres. É universal, simplesmente!

Se tens um par cansado num canto, nada de pânico. Na limpeza, esquece a máquina de lavar e fica com o método suave: um pouco de sabão neutro, uma escova e esfrega sem encharcar a lona. Assim evitas molhar demasiado o calçado e prolongas a vida do par. E antes de comprares um novo, uma passagem pelas plataformas de segunda mão compensa quase sempre — há muitos pares praticamente novos por uma fração do preço.

Dúvida no tamanho? As Chuck Taylor costumam calçar grande: muitas de nós descem meia numeração, ou até uma numeração inteira. Tem isso em conta se encomendares online — poupas a ida e volta ao ponto de recolha.
Quanto custa realmente um par
Em termos de orçamento, conta com cerca de 65 € a 90 € por umas Chuck Taylor All Star clássicas, em lona baixa ou subida. O suficiente para te dares um gosto sem esvaziar a carteira. As edições especiais, os modelos com plataforma e as colaborações sobem facilmente para entre 100 € e 140 € — aí paga-se o design ou a raridade, não necessariamente o conforto. O preço varia conforme o material — lona, pele, lona revestida —, a estação e as séries limitadas.
Onde as encontrar? Na loja oficial da Converse, na maioria dos revendedores de sapatilhas e, claro, no mercado de segunda mão para os modelos esgotados, muitas vezes a metade do preço. Ou seja, há opções para todos os gostos e todas as carteiras.
Já percebeste: depois de um ligeiro apagão, a Converse All Star volta a pisar o alcatrão, rejuvenescida e por vezes reinventada. Um clássico, uma lenda! Como se explica um sucesso destes? Da forma mais simples do mundo: uma pitada de acaso, uma dose de idolatria e um toque de sorte.





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