Duas marcas, o mesmo espírito
A Billionaire Boys Club nasce em 2003, com Nigo no projeto. A Ice Cream, a irmã mais nova virada para o calçado, chegou logo a seguir. O que têm em comum? Uma silhueta streetwear clássica — felpa espessa, caimento generoso, corte amplo — que é acordada por uma serigrafia deliberadamente infantil: dólares, diamantes, estrelas, ursinhos, polos às riscas multicoloridas. O suficiente para assumir uma peça statement sem forçar.
É neste desfasamento que reside a força das duas marcas. Um visual hip-hop sustentado por estampados que não assumem, nem por um segundo, a seriedade do corte. Na prática, usa-se muito bem desde que não exageres: um look total é demasiado, mas uma única peça forte sobre umas calças neutras, com as camadas certas, e o guarda-roupa aguenta-se sozinho.
Quanto aos materiais, é algodão e felpa tradicionais, ora lisos, ora escovados. Nada de técnico: é o grafismo que faz todo o trabalho. Podes inspecionar a etiqueta de composição de todas as formas, mas não vais encontrar ali nenhuma proeza de textura. Mais vale saberes isto antes de te apaixonares.

Em que ponto estão as marcas?
Pharrell não ficou parado. Desde 2023, está à frente da direção criativa do vestuário masculino da Louis Vuitton, enquanto Nigo assumiu a direção artística da Kenzo em 2021. As duas marcas originais não fecharam por causa disso: continuam a lançar drops, com regressos regulares de arquivo — os gelados, os ursinhos, a iconografia do dólar tão reconhecível.
Em França, a distribuição continua confidencial. Muito poucas boutiques dedicadas, incluindo uma em Paris (16 rue de la Verrerie), alguns concept stores criteriosamente escolhidos e, sobretudo, a compra online em bbcicecream.com. Para quem compra a partir de Portugal, o site oficial e os concept stores multimarca que tenham a marca são a via mais direta; confirma sempre a disponibilidade antes de contares com uma loja física. Um aviso: nos marketplaces, as contrafações proliferam. Uma etiqueta mal costurada, um logótipo que borra e está feito.
Em termos ecológicos, não há nada de brilhante a assinalar. Nenhuma certificação do tipo GOTS, algodão biológico ou fibras recicladas é destacada nas fichas de produto. Partimos, por isso, para uma compra convencional, sem argumento ambiental apresentado. Se isto for um critério para ti, a segunda mão muda as contas: o mesmo estilo, uma pegada claramente mais leve e, às vezes, a oportunidade de encontrar um modelo de arquivo que não se vê em mais lado nenhum.
Acessorizar sem sobrecarregar
Um estampado forte tem de respirar. Pega na tua peça BBC ou Ice Cream, coloca-a sobre uns jeans crus ou umas calças largas lisas e fica-te por aí. Um boné discreto, uns ténis sóbrios e o visual aguenta-se.
Empilhar três logótipos é a melhor forma de afogar a peça no meio de tudo. É o tipo de detalhe que faz toda a diferença entre um look controlado e uma silhueta que grita.
Antes de comprares uma peça estampada, olha para a densidade do algodão (a gramagem) e para a nitidez da serigrafia. Numa sweatshirt demasiado leve, a estampagem racha à primeira lavagem. Lava a frio, do avesso, e seca ao ar.
Orçamento
Os preços variam consoante o modelo, a coleção e a raridade. Como referência, estes são valores observados em França e podem diferir em Portugal:
- T-shirt estampada: cerca de 50 a 80 €
- Sweatshirt ou hoodie: cerca de 110 a 200 €
- Casaco ou blusão acolchoado: cerca de 250 a 500 €
- Calçado Ice Cream: cerca de 90 a 180 €
- Segunda mão (Vinted, Grailed, StockX): cerca de 20 a 150 €, consoante o estado e a raridade
Onde os encontrar: o site oficial bbcicecream.com continua a ser a referência, mais alguns concept stores e plataformas de segunda mão. Os preços sobem depressa nos modelos de arquivo e nas colaborações.





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