Todos os anos acontece o mesmo. Guardas os casacos acolchoados cedo demais, voltas a tirar um casaco leve do armário e, no dia seguinte, está um gelo. Em vez de andares a reboque do tempo, mais vale antecipar: esta é a seleção que temos debaixo de olho para a primavera — documentada, sem termos testado tudo.
O blusão curto descontraído
Algodão, botões, capuz e gola alta subida: a receita de um casaco curto fácil de usar. O que faz a diferença são as aplicações bordadas coloridas, com aquele toque étnico que nunca resvala para o folclórico. Gostamos porque passa das calças de ganga em cru para umas calças de caimento fluido sem esforço. O único ponto de atenção? O corte. Curto, sim, mas tem de terminar na cintura — se subir até ao umbigo, a silhueta desfaz-se.

O biker, em várias versões
O biker em tweed de algodão preto, com forma cintada e fechos vermelhos contrastantes, aquece uma combinação básica num instante. Na prática, o tweed não gosta de chuva — guarda-o para os dias secos.
A versão em pele macia, com efeito drapeado e dois fechos a fazer de bolsos, assume o chique sem pesar. E se procuras uma pele mais discreta do que o preto de sempre, o biker azul-marinho cumpre o papel, com fecho assimétrico e botões de pressão prateados.

Parkas e trench coats
A parka curta de estilo militar em algodão caqui, com missangas e bordados multicolores, joga a carta militar com um toque boho numa forma curta e feminina. A parka comprida continua no programa: azul luminoso, tecido leve, bolsos grandes, cordão de aperto na cintura, capuz. É a peça que cobre tudo, do caminho para a escola ao escritório — ideal para sobrepor camadas sem complicar entre duas estações.
Nos trench, o espírito marinho não passa de moda: um azul-marinho iluminado por alguns detalhes brancos, forma cintada. Para um resultado mais discreto, um caban rodado em algodão taupe, gola Claudine e cordões decorativos faz o trabalho sem fazer barulho.

Linho, pele sintética e pele virada
A mistura de linho com pele sintética num casaco curto estilo biker cumpre o que promete: fechos assimétricos, bolsos, tira de pele sintética nos ombros. Com estilo, nunca demasiado girly. O blusão em pele virada, num vermelho franco, de corte impecável — usa-o com peças neutras, senão fica tudo demasiado.
Antes de comprar, vale a pena fazer um teste simples: veste o casaco por cima da camisola que mais usas a meio da estação. Se ficares apertada nos ombros ou se as mangas subirem, não é o teu tamanho — mesmo que o corte fique bonito no cabide.

Como escolher sem errar
Três referências, por esta ordem. Primeiro o tecido: um algodão denso aguenta melhor do que um algodão fino, que se deforma ao longo das lavagens. Depois os fechos e as costuras: puxa com cuidado e repara se o tecido ondula. Por fim, a cor: testa-a junto ao rosto, à luz do dia.
O verdadeiro critério não é o preço na etiqueta, mas o número de conjuntos com que a peça funciona. É razoável? Sim, se a usares três estações — passa a ser uma entrada de guarda-roupa cápsula. Não, se só combina com um conjunto.

Orçamento
Do lado dos preços, as faixas que se veem por cá continuam largas, conforme o tecido e o acabamento. Conta com cerca de 30 a 80 € por um casaco curto de algodão ou uma parka leve, encontrados em grandes superfícies, em lojas de segunda mão ou online; 80 a 180 € por um trench, um caban ou um biker de pele sintética de gama média, em lojas de pronto-a-vestir ou online; e 150 a 500 € por um blusão de pele verdadeira, conforme a qualidade da pele e o cuidado que exige. A cidade, o comprimento, a gama e a manutenção fazem variar a conta: uma pele pede cuidado regular, uma peça básica lava-se sem cerimónia.










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