Também já deves ter reparado: a prateleira de cosmética natural nas parafarmácias cresceu a olhos vistos nos últimos anos. Há quinze anos, encontrar um cuidado certificado por menos de dez euros era quase um pequeno feito. Foi precisamente nessa altura que a Bi Oh! tentou a sorte — uma marca francesa que prometia cosmética natural, sem parabenos, sem silicones e sem perfumes sintéticos, tudo a preços contidos. Voltámos a abrir o dossiê. Em boa verdade, este regresso assenta no teste original; os equivalentes que referimos mais abaixo estão documentados, não foram testados de novo.

A aposta inicial

A Bi Oh! anunciava formular os seus cuidados segundo a carta Cosmebio e apontava a uma certificação emitida pela Ecocert. Dois pontos de referência preciosos quando te encontras à frente de um rótulo. A carta Cosmebio exige uma percentagem mínima de ingredientes de origem natural e uma parte de ingredientes de agricultura biológica. O referencial COSMOS, gerido pela Ecocert em conjunto com parceiros europeus, enquadra também os processos de fabrico e as embalagens. Um atalho a evitar, no entanto: um selo bio nunca garante a ausência de reação cutânea. Uma pele reativa pode perfeitamente reagir, daí o teste no antebraço antes de aplicares um cuidado em todo o rosto: um gesto simples que evita muitos dissabores.

Mãos a segurar um pequeno boião de vidro aberto de creme facial, sobre o rebordo de um lavatório
O cuidado facial testado, em formato standard, na luz suave de uma casa de banho

Creme de mãos: o sem-silicones que convence

O verdadeiro ponto forte do cuidado de mãos era a textura. Cremosa, sem aquele efeito «película» que se deve aos silicones, absorvia depressa e deixava as mãos macias, nunca pegajosas! O cheiro mantinha-se discreto, longe dos perfumes intensos de algumas concorrentes. Atenção, porém: não era um cuidado de choque. Adotava-se no dia a dia, em prevenção, antes de a pele começar a repuxar. O gesto que faz a diferença: uma pequena porção à noite, deixar agir durante o sono e, ao acordar, as mãos estão mais macias.

Mãos de uma mulher negra a massajar creme de mãos, tubo de kraft pousado na cama, ao fim do dia
Massagem ao fim do dia, à beira da cama: a textura derrete depressa, sem efeito de película nas mãos

Cuidado de rosto dia e noite: rico, logo seletivo

No rosto, a fórmula anunciava uma textura mais espessa, que nutria de imediato e trazia conforto às zonas secas. Boa notícia para as peles normais a secas! Bem menos para as peles mistas: demasiado rica de manhã, faz brilhar depressa a zona T. O truque era guardá-la para a noite, em camada fina. E desconfia do «dia E noite»: um cuidado confortável à noite não é forçosamente o mais indicado debaixo da poluição e dos ecrãs ao longo do dia inteiro.

Jovem mulher asiática a aplicar uma camada fina de creme facial na bochecha, à noite, à sua penteadeira
Uma textura densa, confortável nas zonas secas, a reservar para a noite em camada fina

Ler um rótulo em 30 segundos

  • Procura o logótipo COSMOS Organic ou o selo Cosmebio: garantem uma parte real de ingredientes biológicos.
  • Repara na ordem dos ingredientes (INCI): os primeiros são os mais concentrados.
  • Dá preferência a um frasco de vidro ou a um refill: é normalmente o fator que pesa mais no impacto.
  • Um «natural» sem selo não compromete ninguém.

Quanto custa

O verdadeiro argumento da Bi Oh! era o preço! O bio acessível continua a existir, desde que compares.

  • Creme de mãos certificado, tubo de 50 a 100 ml: conta com cerca de 4 a 8 € em supermercados ou parafarmácias (Cattier, So'Bio Étic, Coslys, ou equivalentes à venda por cá), e mais entre 10 e 20 € numa marca de nicho ou online. Os valores variam de loja para loja.
  • Cuidado de rosto dia/noite certificado, boião de 40 a 50 ml: entre 10 e 30 €, consoante a percentagem de ingredientes biológicos e o formato.
  • O que faz subir a conta: a certificação (a COSMOS Organic é mais exigente do que a COSMOS Natural), o recipiente (vidro, refill) e o fabrico local.
  • Onde encontrar: parafarmácias, a zona bio dos supermercados, mercearias especializadas ou diretamente no site das marcas.

O veredicto da Léna: sim ao bio barato, com uma condição — confirma o selo antes de pagares. Começa por um formato pequeno, testa durante duas semanas e só investe num boião grande se a tua pele se der bem com ele.

Fontes

  • Cosmebio, carta e selos: cosmebio.org
  • Ecocert, certificação cosmética: ecocert.com
  • COSMOS-standard, referencial internacional: cosmos-standard.org