Uma amiga tatuou uma pequena borboleta na parte inferior das costas aos 19 anos. Hoje tem 34, não odeia o desenho — mas repete que não o faria ali outra vez. O motivo aguentou-se. O local, nem por isso. É toda a história da tatuagem resumida numa frase: não a escolhes para a pele que tens hoje, escolhes para a que vais ter dentro de vinte anos.

O motivo: projeta-te para além deste verão

É o conselho que se ouve em todo o lado, e é o único que conta a sério. Entre os 18 e os 30 anos, os gostos mudam, as referências também. Por isso tenta imaginar-te aos 45 anos com esse desenho no ombro: o que é que ele te diz? Se ainda te diz alguma coisa, é bom sinal. Se já tens de procurar uma justificação, deixa passar três meses e vê se a vontade se mantém. Nada te obriga a decidir depressa: um bom tatuador prefere um cliente que volta mais tarde do que um cliente que volta para uma remoção.

Há também a questão do estilo, e não é indiferente. Um motivo realista, um traço fino, umas letras: cada um envelhece à sua maneira, e o que gostas num ecrã não rende necessariamente o mesmo numa coxa ou numa omoplata. Pede ao tatuador para te mostrar trabalhos já cicatrizados, e não apenas fotos frescas — é aí que se vê como um traço aguenta depois de alguns anos.

Jovem mulher asiática a comparar um desenho de tatuagem em papel com a pele do braço, num interior luminoso
Testar o motivo na pele antes de a tinta decidir

O local não é um detalhe

Uma tatuagem visível é uma tatuagem que vais usar muito tempo: entrevistas, contexto profissional, fotos de família. Não é razão para esconderes tudo o que gostas, mas merece ser decidido a frio em vez de num impulso. Há zonas que mexem muito mais do que outras — barriga, peito, parte interior dos braços, parte inferior das costas. A pele distende-se ali com o tempo, uma gravidez ou uma variação de peso importante, e um desenho nítido pode perder definição. Não é uma fatalidade, apenas um dado a integrar antes de avançares.

O que não quer dizer que devas apontar para o mais discreto possível. Uma tatuagem bem colocada é, antes de tudo, uma tatuagem que segue a linha do corpo e que te deixa livre de a mostrar ou não. Vê tu onde está o teu equilíbrio entre vontade e constrangimentos — mas põe a questão em voz alta antes de te deitares na maca.

Sol e tatuagem fresca: má combinação

É a armadilha do verão. Uma tatuagem fresca não é uma pele à espera do bronzeado, é uma ferida em processo de cicatrização. Sol, banhos, areia, transpiração: nada disso a ajuda. Durante a cicatrização, segues o protocolo que o teu tatuador te deu, ponto. Depois — e para sempre — o protetor solar 50 na zona continua a ser o que faz mais diferença: é ele que limita a descoloração. Uma tatuagem que desbota raramente é falta de sorte.

E não é uma questão de pele clara ou escura. A descoloração espreita toda a gente, simplesmente porque a tinta instala-se na derme e o sol, esse, não tem delicadezas. Sejamos sinceros: uma zona que nos esquecemos de untar é uma zona que fica gasta ao fim de alguns verões.

Jovem mulher a aplicar protetor solar na tatuagem do antebraço, num terraço soalheiro
Protetor solar na zona tatuada, o gesto que limita a descoloração

Preto ou cor: o que dura no tempo

O preto envelhece, globalmente, melhor. Certas cores, sobretudo as mais claras, atenuam-se mais depressa e dão aquele efeito esbatido que se identifica logo em tatuagens com dez anos. Não quer dizer que se deva fugir da cor: pergunta antes ao teu tatuador como se comportam os pigmentos dele a longo prazo, e conta com a possibilidade de ser preciso um retoque. A mesma lógica se aplica aos desenhos minúsculos: num traço muito fino, a pele que mexe e os traços que se alargam ligeiramente dão depressa um desenho desfocado.

Alergias: a pergunta a fazer antes

Se já reages a certos metais ou a cosméticos, dizê-lo. As tintas evoluíram, nomeadamente desde o enquadramento europeu de certos pigmentos, mas uma reação alérgica continua a ser possível. E uma alergia não se resolve apenas com um creme: em caso de reação suspeita, é melhor pedires uma opinião médica. O laser pode então ser uma opção entre outras, mas o tratamento depende dessa avaliação.

Três perguntas a fazer antes de marcar: as agulhas são de uso único? Como é esterilizado o posto de trabalho? O que fazer se eu reagir mal depois? Um profissional responde sem se ofender. Se se esquiva, passas ao seguinte.

Escolher o tatuador: a etapa incontornável

Um tatuador sério trabalha num espaço dedicado, licenciado pelas autoridades de saúde, com material de uso único e formação em higiene. Podes pedir para ver o espaço, fazer perguntas sobre a limpeza, exigir um orçamento por escrito. A afinidade também conta, e não é pouco: vais talvez voltar para um retoque, mais vale poderes explicar-lhe o que queres e sentires-te ouvida. Compara estúdios e desconfia de preços anormalmente baixos — a higiene e o tempo, isso paga-se. Quanto à lei, em Portugal a tatuagem a menores é estritamente regulada: informa-te sobre a tua situação antes de te deslocares.

Laser: um remédio, não um botão «anular»

Fala-se dele como de uma solução limpa. Na verdade, é um tratamento longo, por vezes doloroso, que exige várias sessões — tanto mais quanto maior for o motivo — e que nem sempre apaga tudo. O resultado varia conforme a pele, as cores usadas e a idade da tatuagem. Não experimentei: baseio-me nas recomendações dermatológicas e nos testemunhos de quem já passou por isso. E costuma sair mais caro do que a própria tatuagem.

Orçamento

Os preços dependem da cidade, do estúdio e da complexidade do motivo. Algumas ordens de grandeza no mercado português:

  • Motivo pequeno: conta muitas vezes com 50 a 120 €, com um valor mínimo de faturação frequente entre os 40 e os 80 €.
  • Motivo médio ou trabalho a cores: entre 150 e 400 €, o que corresponde a um preço à hora na ordem dos 60 a 120 €.
  • Peça grande ou manga completa: várias sessões, logo um orçamento que sobe depressa, muitas vezes a partir dos 800 ou 1 000 €.
  • Remoção a laser: cerca de 80 a 250 € por sessão, ao longo de várias sessões espaçadas por várias semanas.
  • Creme de cuidados pós-tatuagem: 8 a 20 € em farmácia ou parafarmácia.

Estes valores são indicativos e variam bastante de estúdio para estúdio. O que faz variar a conta: o tamanho, os detalhes, a cor, o tempo gasto e o local. Pergunta se o orçamento é gratuito — evita surpresas desagradáveis.

Nos cuidados, a linha da revista é clara: privilegiamos o natural quando faz sentido, mas nunca em detrimento da cicatrização. Numa pele acabada de tatuar, o produto recomendado pelo teu tatuador — muitas vezes uma pomada muito simples, sem perfume, sem óleo essencial, numa embalagem minimalista — continua a ser a referência. O compromisso ecológico, aqui, é o vidro ou o alumínio reutilizável em vez de um tubo de plástico que se atira meio vazio. E em qualquer caso: pedes a opinião do profissional antes de aplicares seja o que for. O que faz a diferença não é o produto milagroso, é a paciência nas primeiras semanas.

Fontes