
Ah, o loiro! Quantas de nós já sonhámos com ele, capricho de momento ou vontade para a vida, ignorando a cor natural por mais escura que seja? Umas deram o passo e descobriram uma cara nova; outras guardaram a ideia na manga, mais ponderadas do que divas assumidas. Quanto a mim, aventurei-me — incluindo uma tentativa que prefiro não voltar a ver em fotografia. Por isso, antes de marcares no salão, vamos ao que realmente te espera: os pigmentos, o calendário, a conta e as perguntas certas para não saíres desiludida.

Falemos de pigmentos, que é onde tudo se decide. Uma marcação feita sobre uma base castanho-escura exige muitas vezes duas sessões até chegar à tonalidade pretendida, e o colorista não se limita a aplicar cor: neutraliza o que sobra — azul contra o laranja, violeta contra o amarelo. Perceber isto muda a forma como encaras o intervalo entre as duas visitas e evita que penses que a primeira passagem foi um falhanço.

Os profissionais, por sua vez, guiam-se por uma escala que vai de 1 (preto) a 10 (loiro platinado). Saber de onde partes poupa muitos mal-entendidos: não vale a pena sonhar com um platinado imediato quando se arranca num 2 — chega-se lá, mas por etapas e sem queimar a fibra.

Nem todas as tonalidades exigem a mesma manutenção. O loiro acinzentado arrefece a cor, mas pode virar rapidamente para o verde se o amarelo não foi bem neutralizado. O dourado, mais quente, ilumina as peles claras, com um amarelado a vigiar. Já o platinado é o mais exigente: descoloração longa, raízes a retocar com frequência, fibra sujeita a muito desgaste.

E o calendário? O crescimento começa a notar-se ao fim de três a quatro semanas, e o retoque da raiz volta a cada quatro a seis semanas. Acrescenta uma máscara por semana, um champô violeta mais ou menos a cada dez dias — e paciência, muita!

Para não saíres de lá desiludida, faz as tuas perguntas: 1. qual é a base de partida? 2. quantas sessões são precisas, e com que orçamento? Poupa-te muitas desilusões, e um bom colorista responde sem rodeios.

Falta a terceira, a mais reveladora: 3. Que manutenção em casa, com que produtos concretos? Uma máscara nutritiva, um champô violeta, um óleo no comprimento e nas pontas — a resposta diz tudo sobre o rigor do teu colorista.

E se te responderem sem teste de mecha nem orçamento, muda de cadeira. Um loiro que dura não é um golpe de sorte: é uma base compreendida, um fundo bem neutralizado e uma manutenção seguida. O resto é luz — e isso podes oferecer-te.

Antes de uma sessão de descoloração, há um pedido que deves fazer: um teste de mecha — e, se tiveres pele reativa, um teste de tolerância. Assim vês como o cabelo reage antes de comprometer a cor, em vez de o descobrires depois.
Quanto custa
Para uma descoloração ou um balayage no salão, conta com cerca de 60 a 150 €, e com 30 a 70 € para o retoque de raízes. O preço depende do comprimento e da espessura do cabelo, da técnica escolhida e da reputação do salão: em cidade grande, é normal ficar no topo da tabela. Em casa, um champô violeta e uma máscara de qualidade ficam por volta dos 20 €, a comprar à medida que vão acabando.




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